quinta-feira, maio 29, 2008

Wilma

1961, numa cidade do interior de São Paulo, Wilma, depois de mais de 2 anos desejando casar com aquele bom partido da cidade - bonito, cabelos negros e rico-, acabou se casando com o melhor amigo dele, também bom partido mas um casamento arranjado. Seu marido era até mais belo que o seu eterno desejado, mas não tinha tanto dinheiro quanto o outro - tinha, mas não tanto! Ainda hoje se arrepende dessa união.

Ela não é uma pessoa de muitos amigos, todas as suas companheiras viraram grandes nomes da sociedade e cortaram seus laços com a ex-rica. Amargurada e solitária, virou dona de casa após um golpe dado nas empresas do marido. Ficou pobre, pobre esnobe! Sua família se mudou para uma cidade no Distrito Federal que não era nada bem conceituada, mas ela nunca deixou de agir como se fosse superior a todos, fazia questão de ostentar coisas que ela já teve na vida. Se endividava até o pescoço para tentar freqüentar clubes de ricaços e esconder seu fracasso.

Teve dois filhos, uma moça e um rapaz. Sempre planejou para eles casamentos que trouxessem de volta as riquezas da família. Sua filha era linda e ambiciosa, mas odiava a mãe, principalmente depois do episódio de sua festa de 15 anos. Wilma expulsou uma amiga da garota, mãe solteira, achava que sua família não deveria se relacionar com esse tipo de gente, ignorando completamente que antes de se casar ela havia engravidado de um vizinho e feito um aborto!

A menina casou-se com um milionário, mas ignorou completamente a mãe e mudou-se para a Europa sem nunca mais dar um sinal de vida. O filho, casou-se com aquela... Aquela, negra, pobre, que nunca teve o respeito de Wilma. Quase mata a mãe do coração, imagine, como ela ia manter as aparências dessa forma? Seu filho, casado com a "mulambenta".

Wilma virou a senhora mal-humorada de rosa no metrô. Carrega na face toda a frustração que ela remói. Ao seu lado, um senhor simpático, daqueles que sorriem o tempo inteiro e contam piadas e histórias divertidas pra todo mundo. Totalmente contrária a seu marido, ela olha de lado, analisa tudo e todos. Observa cada um que entra no trem, julgando em silêncio tudo que ela não considera digno. Se esquece completamente de seus defeitos. Aquela garota de cabelo rosa era pra ela um ser que merecia ir pra fogueira. Na segunda vez que olhou para a menina ela percebeu que estava sendo encarada. Como essa insolente ousa a encarar? Na terceira vez viu uma imensa língua rosada, arregalou os olhos e ficou ali, chocada.

-Post parceria da minha falta do que fazer com a procrastinação da minha irmã mais nova-

sábado, março 08, 2008

Meu fracasso, com orgulho

Eu NUNCA serei uma blogueira "famosa", e quer saber por quê? Não quer? Problema seu.
(Ou sorte, o post é tão grande que nem eu vou me dar ao trabalho de ler)

Minha pretensão vai além disso, por favor. Ficarei muito grata se fizer sucesso com a minha banda, escrevendo algum livro, descobrindo a cura pro câncer sem fazer todos virarem zumbis, mas escrevendo em blog??? Não levo isso aqui a sério o suficiente, e nem quero. Só atualizo quando tenho vontade; ou alguém realmente acha que eu sou uma pessoa ocupada?

Eu fico em casa O DIA INTEIRO, saio quando me dá na telha e tô muito mais preocupada em ficar quentinha dentro do meu pijama que em postar alguma coisa. E olha que eu passo 90% do meu dia na frente do computador, mas gosto mais de falar mal dos outros no Orkut. Além do mais, eu gosto mesmo é de escrever em caderno e fazer música, blogar me dá uma preguiça homérica.

Ganhar dinheiro com blog? Adsense, paypal, caralho a quatro? Grazadeus minha mãe ainda me sustenta. Tenho tv a cabo, comida, casa limpa, roupa lavada e passada, CDs, livros, internet boa, dinheiro pro fim de semana, um carro no meu nome mesmo sem ter carteira de motorista e nem preciso de cliques pra isso. Não que eu queira ser sustentada pra sempre, mas não tenho do que reclamar. E não tenho a menor vontade de ficar esperando chequinho do Google ou doação alheia. Muito menos quero vender alguma coisa. Além do mais, graças ao meu fracasso com blogs, mesmo se eu quisesse, seria impossível ganhar dinheiro assim.

Eu tô pouco me lascando pro que está acontecendo na blogosfera, aliás, acho blogosfera uma palavra RI-DÍ-CU-LA! A mim pouco importa interney, uêba, participar de memes (outra palavra tosca) e coisa e tal. Não tenho o menor interesse em ficar pra lá e pra cá em blogs "famosos". Eu não leio o que não prende minha atenção só porque é algum tipo deus dos blogs. Tanto faz se o ser escreve bem ou não, nem mesmo sei quem são os fodões.

Eu não vou ler o blog do Ignaki Inagaki (obrigada, Google) se não me identifico com ele, quero que o Lúcio Ribeiro enfie um gramofone no nariz, odeio as merdas que o Kid escreve, não gosto d'os Malvados, e tô pouco me fodendo pra qualquer outro que não fui pesquisar no Google por pura preguiça. Tenho mais vontade de ler o que a Elisa escreve, ou ficar fuçando os blogs do pessoal do Parkour. Não que todo blog maiorzinho seja ruim. Eu leio o Jovem Nerd, leio o Ato ou Efeito (apesar de achar o tal do Théo extremamente duh), e nem sei quão conhecidos eles são. Eu gosto e é o que me basta.

Nunca postei sobre o super-ultra-mega-blaster videogame holográfico que ganhei ou o iPod de 16 Yb que comprei. Não vou fazer post engraçadinho pra agradar ninguém e nem comentar ou fazer piada sobra alguma notícia. Postar sobre Lost, Heroes ou Barrados no Baile? Só se eu tiver vontade, mas ando me contentando bastante em conversar com meus amigos.

Eu sempre quis fazer um podcast, mas não vou fazer. Além de ter uma preguiça (ela de novo) desgraçada eu não tenho amigos com quem fazer isso. Fora o pessoal do parkour, meus amigos não têm blog. E tirando pessoal do Hoje é um Mau Dia (RIP) e alguns gatos pingados, eu não tenho ninguém adicionado em MSN ou Orkut pra falar sobre o novo single dos Ninjas do Arrocha. Aliás, NUN-QUI-NHA, que eu vou sair da minha casa pra socializar com pessoas de outros blogs.

Meus "leitores" (?) são todos fantasmas, ninguém comenta, o que acho bom, já que me poupa o trabalho de responder. Inclusive eu leio um monte de blog e não comento, nem linko, aquela minha amiga preguiça, me impede. A minha maior visita foi num post sobre shorts curtos e pernas de fora, e metade de todos os acesso que tive provavelmente foram meus mesmos a procura de algum link.

Além de toda essa pagação bloguística eu teria outra chance de ser famosa com blogs: Ser linda, chamosa e simpática. Mas não sou bonita, não sou legal, não saio pra comer pizza com os amigos porque sou vegan, tenho recém-feitos 18 anos, um aparelho móvel, uso óculos, tenho coluna torta, piso torto e não gosto de você. Tá bom que eu pinto o cabelo de rosa, mas não sou a Marimoon (me falta muito nariz pra isso). Ah sim, Tina, e assim como você, também sei ser estúpida e grossa, então não encha o saco com a MINHA foto e deixa em paz o MEU cabelo. Eu não tenho medo algum de ficar careca, inclusive, posso raspar a cabeça a qualquer momento. Gosto de você mas acho que você podia mudar o disco.

Sabe, eu poderia escrever sem citar ninguém e ser o mais clara possível, mas eu tô pouco me fodendo. No fim das contas isso vai parecer um post de alguém remoendo suas frustrações. Minha única frustração é não ter um teletransporte, no mais eu só tô de saco cheio. A pergunta que me irritou hoje foi:
"Por que você não divulga melhor seu blog?"
Ora bolas, porque eu prefiro ficar de mimimi no MSN ou ficar de pernas pro ar. Isso aqui não é um outdoor das minhas idéias. É só um lugar com HTML mal feita onde eu quero postar sobre o cara cego no metrô, o homem que falou "iscrusive", o eclipse que eu não vi, o filme que eu vi e não gostei, o meu pseudo-existencialismo e minha irmã ao telefone.

Agora dá licença que eu tenho cubos de gelo pra enxugar.


E só pra constar e finalizar:
O NIN é uma banda demente. CD quádruplo de músicas intrumentais? Não gostei. Gosto de jiló frito e de bandas dementes, não gosto de CDs múltiplos.

sábado, fevereiro 09, 2008

Alô? - Adolescentes e telefones.

Telefone é um negócio insuportável, sempre toca na hora errada, sempre é aquela pessoa que você não quer atender, o toque é chato (mesmo que seja sua música favorita, é chato!!), e custa dinheiro. Telefone pra mim é pra ser usado em caso de necessidade: seus pais te acharem, o interfone não funcionando, achar alguém que deveria estar no lugar x, pneu furado no meio do nada, estar preso no buraco... Nunca fui de usar telefone, não ligo pra ninguém sem precisar, fico impaciente, não sei como conversar, não sei ser natural com esse aparelho maldito, não sei o que é falta de educação ou não, não gosto de ficar falando "uhum" pra pessoa perceber que ainda estou a ouvir, e odeio a orelha quente.

Estou, neste exato momento, a me perguntar o que acontece com essas garotas de 14/15 anos. Juro que nem pretendia postar nada hoje, mas eis que minha irmã mais nova resolve conversar com sua melhor(?) amiga ao celular. Isso não seria de todo ruim se ela não viesse pro meu lado. Todo o pavor que tenho a telefone minha irmã tem de amor. Tenho dó dos pais que pagam as contas.

Ok, como não sou eu quem vai pagar, pulemos a parte do dinheiro, vamos para a parte insuportável: a conversa. O assunto está num vai e vem sobre a vida alheia, o namoro alheio, as turmas da escola e coisas "engraçadas" que aconteceram. AINDA não chegou em garotos bonitinhos, ainda, mas toda conversa de garotas de 15 anos chega nisso. E o vocabulário, céus? Onde minha mãe errou? "Noooooooooooooossa, não acredito que aquela tosca vai ser da nossa sala!" Quando o assunto muda o final da frase muda também: "Noooooooooooooooossa, a Gabriela tá namorando o Xande? Não acredito!", Nooooooooooooooossa, lembra, blábláblá, não acredito nisso, cara."

"Colocar as coisas em dia" é a desculpa pra passar tanto tempo esquentando orelha. Tudo bem, a amiga dela estava viajando há um mês, e blábláblá. Mas ela faz a mesma coisa quando chega da escola. Qual a necessidade de telefonar pra alguém com quem você acabou de passar 5 horas?

Mas o que me irrita MESMO é o volume. Chega a ser desesperador, tenho faniquitos com os agudos. Por que nessa idade elas têm de falar alto? Antes mesmo de começar a escrever eu já não conseguia completar pensamentos, por mais curtos que fossem. As risadas são exageradas, parece até existir uma vontade inconsciente de mostrar pras pessoas que estão perto que o papo tá bom. Elas gritam, gritam, você manda elas falarem baixo, elas diminuem um pouco a voz e dois minutos depois já estão gritando. E quando as duas querem falar ao mesmo tempo? Prefiro poupá-los disso.

Garotas nessa idade tendem a se sentir mais velhas, isso é tão bobo. Parecem forçar um conteúdo na conversa. E nessa idade a gente acha que sabe demais, que nossos pais são uns chatos, e que se sua mãe vem fechar a porta é porque ela está velha. É claro que não tem nada a ver com o papo insuportável que você obriga a casa inteira a aturar, DUH! Ai, como eu gosto das cartas, dos e-mail e dos scraps do Orkut... Tão silenciosos.

Sabe qual o pior disso tudo? É que eu nem sei mais o que escrever, e o papo delas parece estar bem longe de terminar. Mas por que ela fica aqui perto de mim? Será que não repara que incomoda? Eu não era assim quanto tinha essa idade. Ou será que era e não percebia? Não, não era, eu não gostava de telefone. Será então que eu sou uma grande implicante? Ou será que eu sou muito impaciente? E se eu for impaciente e implicante? Se eu for os dois eu estou velha. Céus, será que isso é culpa dos 18 chegando? Eu já estou ficando maluca com isso!

SOCORRO! Proíbam as recém-púberes de usar aparelhos telefônicos.


(Eu juro que se esse não fosse um post relâmpago eu faria uma análise mais profunda sobre a coisa, mas quero tentar postar antes da minha irmã desligar.)

[EDIT]
.E consegui. Pouco depois minha irmã desliga o telefone dizendo que a amiga, que foi quem fez a ligação, levaria uma bronca. Elas passaram 58 minutos conversando.
.Se ao telefone, ouvindo a voz de uma só já é terrível, imaginem quando são 5 de uma vez na tua casa.
[/EDIT]

terça-feira, julho 31, 2007

Pseudo-existencialismo pelo preço da passagem

Você sai, encontra as mesmas pessoas de sempre, não faz nada muito novo, tem as mesmas conversas batidas. Você adora estras conversas, sempre rendem bastante assunto, clichê, mas assunto. Você gasta alguns trocados com junkie food e ilude-se achando estar satisfeita com isso que alguns insistem em chamar de comida. Dá um passeio bobo e vai cada um prum lado continuar o que insistimos em chamar de vida.

Você vai de metrô pra casa, você gosta do metrô da sua cidade, é limpo mas ainda assim mantem o clima de cidade. Aquele clima de "jogamos lixo no chão, pixamos paredes, andamos apressados, buzinamos, soltamos fumaça e achamos tudo isso lindo. Somos desempregados, workaholics, fashions, undergrounds, somos tudo num lugar só". 2 reais o ticket, pra você é apenas o troco da batata frita, tem gente que não tem grana pro metrô e muito menos pra batata frita, mas você não gosta de pensar nisso, não é confortável. Já no metrô você observa as pessoas e tenta imaginar como são as vidas delas por trás de todos os olhares vagos e jeitos caricatos. Será que todos levam vidas semelhantes à sua? Impossível, por mais rotineira que sua vida costume ser ela é inigualável. Mas e como são essas vidas alheias?

São pessoas com idéias e crenças diferentes, mas no fim todas acabarão como você, simplesmente acabarão. Mas isso nem importa, cada uma acredita em algo. Você se preocupa com isso, algumas acreditam tanto que deixam de fazer certas coisas para terem uma possível morte boa. É isso, algumas pessoas vivem para morrer. Vivem de forma regrada e chata pra morrer bem. Deixam de viver cedo de mais e insistem em chamar isso de vida.

Você para de pensar nesses rostos diferentes, e ao mesmo tempo tão iguais, e olha pra janela. Está a noite e você consegue ver seu reflexo, você vê a mesma cara de sempre e se assusta com tanto esforço pra mudar e acabar sempre igual. Você é sempre você e não há muitas situações que possam mudar isso. Você olha além do vidro, está escuro, você enxerga apenas algumas luzes e sombras, mas você reconhece esse lugar. Você já fez esse mesmo caminho centena de vezes antes. O mesmo caminho, pro mesmo lugar, de volta pra mesma vida de sempre. Oh, doce rotina...

Você finge que não, mas você gosta de voltar pra casa. Lá você pode ser tudo e nada. Você pode ser o que você quiser! Suas coisas estão lá, suas manias também. Oh, doce casa, oh, doce lar que abriga sua doce rotina. E mais uma vez você se lembra de que está mais perto e se pergunta quão perto as outras pessoas estão de suas casas e rotinas. Será que são doces que nem a sua?

Você acha engraçada a forma como essas pessoas te olham e se pergunta se elas fazem os mesmos questionamentos que você. Você gostaria de mergulhar no cérebro de cada uma delas e vasculhar cada cantinho, mas aí você se lembra de que além de idéias veria angústias. Você é do tipo que nunca fica triste por você, mas sente a dor dos outros. Você já tem angústias e frustrações demais, então desiste dos cérebros alheios. Você não é altruísta a ponto de querer agüentar sofrimentos alheios, já bastam os seus, mas você os agüenta mesmo sem querer. Talvez se você fosse forte o bastante pra agüentar toda a dor do mundo, mas você não é, então então abandona essa idéia...

Você desce do metrô, anda alguns minutos, deseja boa noite às mesmas pessoas de sempre, e chega no seu cantinho, finalmente sua rotina está de volta. Amanhã você tenta fugir dela outra vez, agora você vai aproveitá-la.


Continua...


Muita coisa pra dizer, pouca coisa pra dizer, muito tempo pra escrever, pouco tempo pra escrever, muita coisa pra fazer, coisa nenhuma pra fazer, muita vontade de postar, imensa preguiça de postar. Eu não morri.

quinta-feira, junho 21, 2007

Pseudo-existencialismo barato e rotineiro

Você acorda, já passou da hora do almoço e nem vale a pena tomar café da manhã. Se levanta, escova os dentes, lava a cara... Ainda um pouco sonolenta volta pro quarto e senta em frente ao computador pra esperar o gosto de pasta de dente diminuir e poder comer. Liga a música, olha o Orkut e todas as coisas que você vê todos os dias. Aquele gostinho de menta que você tanto gosta diminui bastante e você vai até a cozinha, seria mais fácil pedir pra alguém fazer seu prato, mas você insiste em andar até lá pra não se sentir tão a toa.

Salada, arroz, feijão e um complemento. A mesma coisa de sempre, as vezes muda, mas no geral é sempre a mesma coisa. Você poderia sentar-se à mesa, mas não vai fazer muita diferença, não há alguém pra sentar com você, estão todos ocupados e distantes cuidando de suas próprias vidas. E você volta pra frente da telinha luminosa, come tudo e finge que está vivendo. Você não quer levantar, mas tem que levar seu prato de volta e escovar seus dentes, então o faz contrariada. Pensa em aproveitar que já está no banheiro pra tomar banho, mas decide continuar no seu pijama e volta pro quarto.

Dessa vez você decide tentar ser uma pessoa muito criativa. Pausa a música que está tocando, liga o amplificador, pega o papel e a caneta. E suas músicas são tão ruins que você se frustra. Você tem idéias tão boas, influências melhores ainda, mas sua cabeça está tão cheia de tudo e nada que ambos se misturam e viram uma grande porcaria. Semana passada não era assim, essa semana é. Play outra vez, você olha pro chão e vê suas meias usadas largadas, seu tênis imundo, suas coisas espalhadas. Pensa em arrumar tudo, mas só pensa. Olha novamente e dessa vez vê papéis, lápis e mais uma chance de se sentir uma pessoa criativa. Uma ótima chance, aliás, você desenha bem e sabe disso, mas mais uma vez não faz nada. Pensar é fácil demais, e como, mas você não tem vontade alguma de fazer, e mais uma vez sente toda a frustração de tantos "deixa pra lá".

Você sabe que deve sair de casa e fazer alguma coisa, mas aí você pensa que vai chegar em casa e vai ser tudo a mesma coisa. Semana passada não era assim, essa semana é. Já se passaram duas horas desde que acordou e tudo continua improdutivo. Sai do seu quarto e pensa "Que grande passo!" liga a TV pra assistir as mesmas séries de meia hora que assiste sempre, e o grande passo se torna um carro andando de ré. Ninguém te liga, você mantém seu celular desligado e nunca passa o telefone de casa. As pessoas te irritam, mas você continua achando que elas sempre aparecerão quando você quiser. Melhor ir tomar banho.

Você não gosta de rotina, então dessa vez começa lavando os braços primeiros. Quanta evolução, heim! O banho é a única hora (na verdade 15 minutos) em que você realmente pensa sobre tudo com cuidado. Pensa tanto que chega a conclusão de que gosta do modo como está sua vida. Você não tem muitas obrigações, aliás, não tem nenhuma, é tudo um grande descanso. É, você gosta. Semana passada não gostava, essa semana gosta. Você lava o cabelo e como sempre não se dá ao trabalho de penteá-lo. Pra que? Aliás, por quê? Ele está desbotado, bagunçado e o corte já se perdeu, mas você não se importa. Passa a toalha e deixa secar do jeito que está. Não te agrada, mas não te incomoda; você não vai sair mesmo e se fosse faria tudo do mesmo jeito. Na hora de vestir a roupa acaba vestindo pijama, não o mesmo de antes mas ainda assim um pijama.

Já escureceu e você reparou que não passou o dia inteiro estudando, e você não pretende fazer Direito como meio mundo, aliás, você odeia Direito. Ele gosta, você não. Você não acredita na justiça, você é totalmente descrente com o mundo. Semana passada não era, essa semana é. Você não está afim de conversas pseudo-intelectuais. Você só quer se encher de café e assistir seus filmes. Desliga a música, assiste 3 ou 4 filmes e chega de filmes por hoje. Também não está com vontade de escrever sobre eles. Semana passada estava, essa semana não está. Não quer mais saber de música. Faz outra coisa, qualquer coisa.

Começa conversas frias, repetitivas e sem graça, mas ao mesmo tempo começa outras boas conversas. Todas separadas por telas e vários km. Você podia pegar um metrô e conversar cara a cara, mas ficar debaixo das cobertas com seu pijama é melhor. Mais café, madrugada, a mesma coisa. Amanhã você vai sair, agora você vai tomar outro banho e vai dormir.


Continua...




Voltei, demorei, mas voltei. WGAMO voltou também.

segunda-feira, abril 09, 2007

Quero minha infância de volta

Não, isso não é um post sobre meu feriado, sobre chocolate, sobre 1º de abril (meu dia favorito do ano) e muito menos é um post nostálgico. Eu só quero minha infância de volta, agora, e com tudo que ela tinha. Até meus meus 14 anos, minha imaginação era extremamente fértil, dos 8 anos de idade aos 12 então, nem se fala. Eu escrevia sobre tudo, desenhava tudo, falava de tudo, tinha mil histórias na minha cabeça, imaginava mil coisas, mil brinquedos.

Parece que minha imaginação foi me abandonando conforme os namoros ficavam sérios. Acho que sou precoce, meu primeiro namoro, namoro mesmo de "Estamos namorando!" "Esse é meu namorado" foi aos 12 anos, durou até março de 2003, 5 meses pra ser mais exata. Aos 13 vieram alguns outros namorados, nada demais e nem importante, nenhum desses durou mais que dois meses, e eu enjoei da cara de todos. Eu sempre tive aquele garoto de quem gostava muitão, e entre um namoro e outro a gente 'ficava' (ô termo tosco!).

Aos 14 anos veio o meu namoro mais sério (e minha imaginação foi toda embora), apresentei o garoto aos meus pais, fui apresentada aos pais dele e todas aquelas formalidades que teoricamente definem a seriedade de um namoro. Aos 15 anos esse namoro terminou da forma mais estranha possível. Algumas paixões de inverno, outras de verão, primavera ou outono, alguns namoros a distância com direito a visitas mensais, um namoro de um mês e eu não sei mais escrever.

É sério, antes de toda a minha frustrada vida amorosa começar, eu era uma gênia, escrevia poemas num estralar de dedos, redações gigantes num piscar de olhos. Meus desenhos naquela época eram bem melhores, claro que hoje tenho mais técnica, mas antes eles eram bem mais fantasiosos e divertidos. Até as desculpas que eu inventava quando era criança eram mais inteligentes. Puta que o pariu, eu quero minha infância de volta, com todas as caixas-de-papelão-foguetes, as filas de cadeiras que formavam trens, os desenhos que conversavam comigo e as histórias de montros. Minha criatividade era a mil. Eu lia O Pequeno Príncipe praticamente todos os dias, meu livro favorito até hoje. E agora eu tenho crises porque não consigo escrever uma música que preste.

Talvez eu tenha ficado mais exigente com as coisas que escrevo, talvez eu tenha parado de fantasiar demais e tenha conhecido "A Vida Como Ela É", talvez não. Eu ainda acho que é culpa dos namoros, sério, de todos os namorados que tive, só amei 3, mas o amor emburrece, entende? É a única explicação plausível que encontrei pra isso. Só sei que eu tô levando minha banda muito a sério, e cada vez que tento escrever uma música tenho vontade de enfiar um cotonete bem fundo na minha orelha pra ver se ainda existe um cérebro dentro dessa caixa craniana.

Alter ego do mal: Vai lá idiota, faz isso mesmo, estoura o tímpano pra eu poder rir da sua cara e falar "SE FODEU, OTÁRIA! HAHAHAHAHAHAH!"

Chega de drama, tomara que isso tudo não passe de uma fase ruim ou de um mero bloqueio criativo (eu me achando a artista). Nossinhora, tem horas em que eu consigo ser extremamente patética, ainda bem que a única vergonha que eu sinto, fora cantar, é vergonha pelos outros!




Last.fm: Forgotten Boys - Stand by the D.A.N.C.E


P.S.: Incrível como esse blog é um paradoxo. Esse post contradiz totalmente o post abaixo!