quarta-feira, setembro 17, 2008

Santos, São Paulo, Brasília, Palmas

Cainã. Talvez seja Cainan, ou Kaynã. Só sei que o nome é esse. Não sei sobrenome, nem idade, nem se te irmãos. O conheci naquela segunda-feira sem nada pra fazer, quando encontraria um colega no Museu Honestino Guimarães - também conhecido como museu bolinha, ovo enterrado, nave espacial, saturno ou iglu. Deu pane no metrô, e eu nunca reclamei tanto na minha vida, roguei pragas pra todas as gerações de todos que tivessem algum pingo de culpa, cheguei uma hora atrasada. É claro que ele não estaria lá, mas "Dane-se, já estou aqui, vamos ver o que tem de bom nesse museu!"

Subi a rampa e dei de cara com as portas fechadas. Com as portas fechadas e com o Cainã. Nós dois ficamos com aquela cara de "hã? fechado?". Na verdade, estávamos é com vontade de chutar alguém, pelo menos eu estava, você também não gostaria de subir ESSA RAMPA e descobrir que foi a toa. Como boa brasiliense que sou, fiquei na minha, de boca calada, quase que ignorando a presença dele. Mas ele é santista e já veio logo falando que seria legal uma placa no começo da rampa pra evitar esforços desnecessários. Puxou a cordinha eu começo a falar!

Descemos conversando e resolvemos ir até o andar debaixo ver se tinha alguma coisa. Só tinha um guardinha pra nos informar que o museu não funciona às segundas. MAS HEIM??? Você com certeza não entende o quão desgraçante é isso. Segunda-feira a tarde em Brasília em pleno mês de setembro significa um sol rachando na sua cabeça, um calor dos infernos, nada interessante acontecendo e o ar seco. Planos completamente frustrados e aquela sensação de "QUE PORRA EU VOU FAZER AGORA?"


Oi, eu não funciono às segundas-feiras.


Até esse momento eu só pensava em como seria bom descontar toda essa frustração no primeiro fela que surgisse na minha frente, eis que eu olho pro lado e ele ainda está lá, de camisa verde, calça jeans, mochila preta e uma câmera na mão. Não olhei pros pés, não sei o que ele calçava, sei que ele tinha um sorriso bom, daqueles que te dão vontade de sorrir também. Estava totalmente pronto pra conversar sobre o que fosse. Talvez ele não tivesse nada demais, não tinha tatuagens visíveis e nem era o Rick Genest, mas eu fiquei encantada. Assim, por nada.

Propus que fizéssemos algo, sugeri o CCBB (que mais tarde descobri que também não funciona segunda) e fomos caminhando em direção a nada. Ele me contou que é de Santos mas mora em São Paulo, onde faz engenharia. Não perguntei qual. "E o que diabos você tá fazendo aqui?". Ele ia a um encontro universitário em Palmas (TO) e resolveu conhecer a capital. Nada muito específico, eu falei um pouquinho de nada sobre mim e depois não conversamos mais nada pessoal, começamos a conversar coisas genéricas e aleatórias, principalmente sobre o que gostávamos ou não onde morávamos. Na verdade, eu lembro direitinho de tudo da conversa, das piadinhas sem graças que eu fiz e de como ele andou por todo o Eixo Monumental visitando tudinho.

Durante essa caminhada sem rumo, recebo uma ligação daquele colega que eu iria encontrar. Perguntou onde eu estava, onde eu queria ir e falou que passaria pra me buscar de carro. Enquanto eu falava ao celular, o Cainã me deu tchau, disse que pegaria ônibus até a rodoferroviária pra esperar o ônibus pra Palmas. Mas tava muito cedo, vi ele se afastando e me deu uma agoniazinha, um desespero, eu não queria que ele fosse. Desliguei, gritei pra ele voltar. Ele voltou, mas não existia um motivo pra isso, não tinha nada pra fazer.

Daí eu não lembro porquê, mas a gente resolveu correr até o Teatro Nacional pra tentar subir nos bloquinhos. Atravessamos as pistas irresponsavelmente, corremos pelo gramado, paramos pra ele tirar fotos de corujas (ele tirava foto de tudo). Atravessamos pistas responsavelmente e descobrimos que os bloquinhos foram retirados sabe-se lá pra que, provavelmente alguma restauração. Eu me senti culpada por tê-lo feito correr aquilo tudo pra nada. Mas ele não parava de sorrir, despreocupado, quase que dizendo pra eu relaxar... Só com o sorriso.



Oi, nós não existimos mais.



Mais fotos tiradas, dessa vez resolvemos atravessar tudo sem pressa, conversando mais sobre aleatoriedades. Talvez fosse a despretensão da situação. Uma brasiliense e um santista sem obrigação alguma, andando numa cidade besta, num calor besta. Não era só o sorriso, eu não sei o que tinha nele, mas eu não queria chegar do outro lado, esperava ficar andando no gramado seco, conversando água até cansar. Já nem me importava com tanta coisa que deu errado num dia só.

Infelizmente, uma hora meu colega chegou, e o Cainã preferiu não ir com a gente pra que não ficássemos presos ao horário do ônibus dele. Por um momento eu pensei em fechar a porta do carro, falar um foda-se bem grande, abandonar meu colega ali mesmo e continuar caminhando com o Cainã. Eu realmente não queria que ele se fosse. Mas aí seria descaso demais até pra minha falta de educação. Ele me passou o número dele, eu salvei no meu celular, me despedi, desejei boa viagem, entrei no carro e o resto do dia foi nada comparado àquele pedacinho da tarde.

Cainã nem sabe, mas se tornou eterno nessa Brasíla!




Ele fica em Tocantins até domingo, quando acaba o tal encontro de sei-lá-o-quê. Na volta ele passa aqui em Brasília outra vez. Eu fiquei aqui, morrendo de vontade de ligar pra ele, mas sem coragem alguma. E me toquei de que, mesmo totalmente encantada, não sei praticamente NADA sobre ele. Ê, vida...

sábado, março 08, 2008

Meu fracasso, com orgulho

Eu NUNCA serei uma blogueira "famosa", e quer saber por quê? Não quer? Problema seu.
(Ou sorte, o post é tão grande que nem eu vou me dar ao trabalho de ler)

Minha pretensão vai além disso, por favor. Ficarei muito grata se fizer sucesso com a minha banda, escrevendo algum livro, descobrindo a cura pro câncer sem fazer todos virarem zumbis, mas escrevendo em blog??? Não levo isso aqui a sério o suficiente, e nem quero. Só atualizo quando tenho vontade; ou alguém realmente acha que eu sou uma pessoa ocupada?

Eu fico em casa O DIA INTEIRO, saio quando me dá na telha e tô muito mais preocupada em ficar quentinha dentro do meu pijama que em postar alguma coisa. E olha que eu passo 90% do meu dia na frente do computador, mas gosto mais de falar mal dos outros no Orkut. Além do mais, eu gosto mesmo é de escrever em caderno e fazer música, blogar me dá uma preguiça homérica.

Ganhar dinheiro com blog? Adsense, paypal, caralho a quatro? Grazadeus minha mãe ainda me sustenta. Tenho tv a cabo, comida, casa limpa, roupa lavada e passada, CDs, livros, internet boa, dinheiro pro fim de semana, um carro no meu nome mesmo sem ter carteira de motorista e nem preciso de cliques pra isso. Não que eu queira ser sustentada pra sempre, mas não tenho do que reclamar. E não tenho a menor vontade de ficar esperando chequinho do Google ou doação alheia. Muito menos quero vender alguma coisa. Além do mais, graças ao meu fracasso com blogs, mesmo se eu quisesse, seria impossível ganhar dinheiro assim.

Eu tô pouco me lascando pro que está acontecendo na blogosfera, aliás, acho blogosfera uma palavra RI-DÍ-CU-LA! A mim pouco importa interney, uêba, participar de memes (outra palavra tosca) e coisa e tal. Não tenho o menor interesse em ficar pra lá e pra cá em blogs "famosos". Eu não leio o que não prende minha atenção só porque é algum tipo deus dos blogs. Tanto faz se o ser escreve bem ou não, nem mesmo sei quem são os fodões.

Eu não vou ler o blog do Ignaki Inagaki (obrigada, Google) se não me identifico com ele, quero que o Lúcio Ribeiro enfie um gramofone no nariz, odeio as merdas que o Kid escreve, não gosto d'os Malvados, e tô pouco me fodendo pra qualquer outro que não fui pesquisar no Google por pura preguiça. Tenho mais vontade de ler o que a Elisa escreve, ou ficar fuçando os blogs do pessoal do Parkour. Não que todo blog maiorzinho seja ruim. Eu leio o Jovem Nerd, leio o Ato ou Efeito (apesar de achar o tal do Théo extremamente duh), e nem sei quão conhecidos eles são. Eu gosto e é o que me basta.

Nunca postei sobre o super-ultra-mega-blaster videogame holográfico que ganhei ou o iPod de 16 Yb que comprei. Não vou fazer post engraçadinho pra agradar ninguém e nem comentar ou fazer piada sobra alguma notícia. Postar sobre Lost, Heroes ou Barrados no Baile? Só se eu tiver vontade, mas ando me contentando bastante em conversar com meus amigos.

Eu sempre quis fazer um podcast, mas não vou fazer. Além de ter uma preguiça (ela de novo) desgraçada eu não tenho amigos com quem fazer isso. Fora o pessoal do parkour, meus amigos não têm blog. E tirando pessoal do Hoje é um Mau Dia (RIP) e alguns gatos pingados, eu não tenho ninguém adicionado em MSN ou Orkut pra falar sobre o novo single dos Ninjas do Arrocha. Aliás, NUN-QUI-NHA, que eu vou sair da minha casa pra socializar com pessoas de outros blogs.

Meus "leitores" (?) são todos fantasmas, ninguém comenta, o que acho bom, já que me poupa o trabalho de responder. Inclusive eu leio um monte de blog e não comento, nem linko, aquela minha amiga preguiça, me impede. A minha maior visita foi num post sobre shorts curtos e pernas de fora, e metade de todos os acesso que tive provavelmente foram meus mesmos a procura de algum link.

Além de toda essa pagação bloguística eu teria outra chance de ser famosa com blogs: Ser linda, chamosa e simpática. Mas não sou bonita, não sou legal, não saio pra comer pizza com os amigos porque sou vegan, tenho recém-feitos 18 anos, um aparelho móvel, uso óculos, tenho coluna torta, piso torto e não gosto de você. Tá bom que eu pinto o cabelo de rosa, mas não sou a Marimoon (me falta muito nariz pra isso). Ah sim, Tina, e assim como você, também sei ser estúpida e grossa, então não encha o saco com a MINHA foto e deixa em paz o MEU cabelo. Eu não tenho medo algum de ficar careca, inclusive, posso raspar a cabeça a qualquer momento. Gosto de você mas acho que você podia mudar o disco.

Sabe, eu poderia escrever sem citar ninguém e ser o mais clara possível, mas eu tô pouco me fodendo. No fim das contas isso vai parecer um post de alguém remoendo suas frustrações. Minha única frustração é não ter um teletransporte, no mais eu só tô de saco cheio. A pergunta que me irritou hoje foi:
"Por que você não divulga melhor seu blog?"
Ora bolas, porque eu prefiro ficar de mimimi no MSN ou ficar de pernas pro ar. Isso aqui não é um outdoor das minhas idéias. É só um lugar com HTML mal feita onde eu quero postar sobre o cara cego no metrô, o homem que falou "iscrusive", o eclipse que eu não vi, o filme que eu vi e não gostei, o meu pseudo-existencialismo e minha irmã ao telefone.

Agora dá licença que eu tenho cubos de gelo pra enxugar.


E só pra constar e finalizar:
O NIN é uma banda demente. CD quádruplo de músicas intrumentais? Não gostei. Gosto de jiló frito e de bandas dementes, não gosto de CDs múltiplos.