quinta-feira, março 27, 2008

Pop é sua mãe

Eu tenho uma banda né... Duh! Ontem a baterista me manda adionar uma garota no MSN, ela ia me entrevistar prum projeto que tava começando. O nome do projeto é Pop É Sua Mãe, e visa divulgar bandas do "underground" brasileiro e criar debates sobre a atual situação da coisa toda. Eu fiquei pensando "ai, caralho, hahahahaha, eu não sei ser entrevistada". Antes eu conversei bastante com a Kelly, e a gente até teve uma pequena discussão acalorada sobre a tal "cena" brasileira, no fim o combinado foi fazer a entrevista depois que eu assistisse Greek. "Acaba meia-noite, disse eu".

Tenho a impressão de que um monte de gente vai me achar bem ignorante, mas eu não dou a mínima... É engraçado ser entrevistada, mesmo que as perguntas tenham sido bem simples, rola um receio de ser mal interpretada, dá vontade de falar mooontes, escrever um livro com as respostas, e tive que controlar minha falta de educação. No fim das contas foi mais fácil do que eu imaginei, agora eu quero ficar famosa e ser entrevistada todo dia... Ou não! Na verdade eu só postei essa entrevista aqui porque eu sempre quis fazer um puta texto sobre ter uma banda e sobre esse monte de banda que tá surgindo, principalmente as femininas. A entrevista editada e com as devidas reduções por causa dos caracteres limitados do Fotolog você pode ver aqui: POP É SUA MÃE - LOVELACE.


Kellzinha chistin [PROJETO POP É SUA MÃE] diz:
nossa vc é pontual IASDHAisudhASIUDHas
Kellzinha chistin [PROJETO POP É SUA MÃE] diz:
meia noite e um
~nati. yeah. diz:
hahahhaahaha
~nati. yeah. diz:
ainda me atrasei pq fui buscar água

(...)



"Agora a foto de banda de pseudo-hc-melódico-pop-ruim-grudento-chorão...
Mas segura esse riso aí, porra, olha pra cá, desfaz essa cara e cruza os braços, caralho."


Lovelace ainda é uma banda relativamente nova. Quais os objetivos em relação à carreira de vocês?
R: Cada uma tem um certo objetivo, acho que nem todas acreditam em viver de música e também não dá pra fazer muitos planos a longo prazo. Quem perde muito tempo planejando não vê o presente passando. Por enquanto, a gente só pensa em agarrar todas as oportunidades de show, fazer mais músicas e cada vez melhores. Tocar, tocar, tocar, tocar... É claro que se a gente tiver grana e fama não iremos reclamar nadinha, hahahahaha.

Por que a música de vocês é escrita em inglês? E a que assunto remetem as letras?
R: Nem todas as músicas são em inglês, a gente já fez algumas em português, nem todas ficaram muito boas, acho que a gente escreve melhor assim. Eu, pelo menos, penso melhor em inglês, apesar do meu inglês não ser grandes coisas. Nos últimos dias fiz algumas músicas que até francês e alemão tinha. Acho que na verdade a gente escreve o que der na telha, se vier uma frase em inglês seguida de uma em chinês e uma palavra em finlandês vai assim mesmo. Mas não dá pra negar que tudo soa um pouco melhor em inglês. Fora que eu tenho um pouco de medo do português, é um idioma muito bonito, é muito fácil parecer medíocre. As letras falam de tudo, de expectativas, da vida, de escola, de como achamos que algumas pessoas são sonsas, de coisas que nos irritam, de procura pelos porquês, de sexo...
~nati. yeah. diz:
Ah, e do Johnny Depp

(...)

Natália você como vocalista da Lovelace o que você tem a dizer as bandas femininas que estão sendo lançadas aqui no Brasil?
R: Sinceramente? Eu acho bom que as garotas estejam se interessando pelo rock, tem muita banda legal ganhando espaço, mas também tem uma leva muito porcaria surgindo. Claro, isso de acordo com meu gosto musical, e claro que isso é bom pras outras bandas femininas que ganham espaço através delas. Eu não vou citar nome nenhum pra não ser muito rude, mas eu tô de saco cheio de bandinhas de menina que montam um puta visual, fazem uma letrinha fuleira e balançam a cabeça tocando seu rockinho(?) fuleiro. Algumas eu nem consigo chamar de rock. Tem trabalhos muito bons, mas tem muita incompetência também. Pelamor, ninguém mais tem influências das tiazonas? Rita Lee, Donita Sparks, Patti Smith, Joan Jett. Eu acho que o que tá faltando pressas garotas é sair das sombras que elas têm, sombras de influências de bandas masculinas que não estão acresencentando nada nem pra elas mesmas (e não quero dizer que banda de homem não presta). Eu acho que tá faltando uma boa coçada de boceta e uma cuspida no chão.

(...)

Que fator do Brasil você apontaria como destruição da cena musical brasileira?
R: Nem toda a cena brasileira tá destruída, tem muita coisa boa surgindo e na ativa, mas o que tá exposto, o que tá estourando tá bem podre. E é isso que tá apodrecendo tudo. Junto dessa explosão vem um monte de estilhaço da bomba. E pra essas bandas tá faltando criatividade, vontade arriscar, e um booooooooooooom gole de rock n' roll de verdade.

(droga, eu esqueci de citar a cena de Goiânia)


Vocês têm muitas influencias internacionais, como Juliette and The Licks, Sahara Hotnights. Se pudessem escolher alguma banda gringa para fazer a abertura de um show aqui no Brasil, qual seria?
~nati. yeah. diz:
Puts, a banda tem que estar viva ou na ativa?
Kellzinha chistin [PROJETO POP É SUA MÃE] ((OCUPADA MESMO)) diz:
iuasdhfiuasdhfiusdhfiuasdhfiuasdhfiuasdh tem

R: Ok, atualmente, eu sonho em dividir palco com Juliette and The Licks! O show dela no Tim Festival foi incrível, me gozei toda. Puta presença, puta energia!
~nati. yeah. diz:
E é a banda toda, não só a Juliette Lewis! O foda é que costumam reparar só nela.

Por ser uma banda só de garotas já sofreram algum preconceito?
R: Não. Mas eu não acharia ruim levar uns tapas na cara e devolver com um belo murro e uma escarrada!

Duas integrantes da banda são homossexuais, isso influencia algo?
R: Você quer saber se somos uma banda gay? Não somos uma banda gay, e a banda funciona independente das opções de cada uma. A gente tem uma japa e não canta em japonês, eu sou vegetariana e não lancei um disco chamando Meat is Murder.

Quando vocês pretendem entrar em estudio ?
R: O mais rápido possível. A gente tá naquela fase de "essa música fica melhor assim que assado", estamos dando um boost nas guitarras, fazendo músicas novas pra descartar as que a gente já não aguenta mais tocar. Assim que a gente achar que já tem um material legal a banda começa a gravar.

Aqui é a parte da entrevista que eu chamo de “GRITOS E SUSSURROS” o que você gostaria de grita ao mundo musical hoje?
R: CUSPAM SANGUE NOS INSTRUMENTOS, GOZEM NO PALCO E PAREM DE MIMIMI, PORRA!

Kellzinha chistin [PROJETO POP É SUA MÃE] ((OCUPADA MESMO)) diz:
bom a entrevista em si é isso mesmo
Kellzinha chistin [PROJETO POP É SUA MÃE] ((OCUPADA MESMO)) diz:
mas tem algo que vc gostaria de agradecer ?
Kellzinha chistin [PROJETO POP É SUA MÃE] ((OCUPADA MESMO)) diz:
fala ai é seu espaço ;D
~nati. yeah. diz:
Cara, eu tenho tanta coisa pra falar que a trilogia Senhor dos Anéis e O Hobbit pareceriam pequenos.
~nati. yeah. diz:
Ah, e eu queria mandar um beijo pra minha mãe, pro meu pai, pra toda caravana de Pirapozinho, pro Lamim que está me enchendo o saco na outra janela do MSN e um especialmente pra você Xuxa.



(...)= papos aleatórios e perguntas e respostas que com certeza deveriam ser esquecidas.

sábado, março 08, 2008

Meu fracasso, com orgulho

Eu NUNCA serei uma blogueira "famosa", e quer saber por quê? Não quer? Problema seu.
(Ou sorte, o post é tão grande que nem eu vou me dar ao trabalho de ler)

Minha pretensão vai além disso, por favor. Ficarei muito grata se fizer sucesso com a minha banda, escrevendo algum livro, descobrindo a cura pro câncer sem fazer todos virarem zumbis, mas escrevendo em blog??? Não levo isso aqui a sério o suficiente, e nem quero. Só atualizo quando tenho vontade; ou alguém realmente acha que eu sou uma pessoa ocupada?

Eu fico em casa O DIA INTEIRO, saio quando me dá na telha e tô muito mais preocupada em ficar quentinha dentro do meu pijama que em postar alguma coisa. E olha que eu passo 90% do meu dia na frente do computador, mas gosto mais de falar mal dos outros no Orkut. Além do mais, eu gosto mesmo é de escrever em caderno e fazer música, blogar me dá uma preguiça homérica.

Ganhar dinheiro com blog? Adsense, paypal, caralho a quatro? Grazadeus minha mãe ainda me sustenta. Tenho tv a cabo, comida, casa limpa, roupa lavada e passada, CDs, livros, internet boa, dinheiro pro fim de semana, um carro no meu nome mesmo sem ter carteira de motorista e nem preciso de cliques pra isso. Não que eu queira ser sustentada pra sempre, mas não tenho do que reclamar. E não tenho a menor vontade de ficar esperando chequinho do Google ou doação alheia. Muito menos quero vender alguma coisa. Além do mais, graças ao meu fracasso com blogs, mesmo se eu quisesse, seria impossível ganhar dinheiro assim.

Eu tô pouco me lascando pro que está acontecendo na blogosfera, aliás, acho blogosfera uma palavra RI-DÍ-CU-LA! A mim pouco importa interney, uêba, participar de memes (outra palavra tosca) e coisa e tal. Não tenho o menor interesse em ficar pra lá e pra cá em blogs "famosos". Eu não leio o que não prende minha atenção só porque é algum tipo deus dos blogs. Tanto faz se o ser escreve bem ou não, nem mesmo sei quem são os fodões.

Eu não vou ler o blog do Ignaki Inagaki (obrigada, Google) se não me identifico com ele, quero que o Lúcio Ribeiro enfie um gramofone no nariz, odeio as merdas que o Kid escreve, não gosto d'os Malvados, e tô pouco me fodendo pra qualquer outro que não fui pesquisar no Google por pura preguiça. Tenho mais vontade de ler o que a Elisa escreve, ou ficar fuçando os blogs do pessoal do Parkour. Não que todo blog maiorzinho seja ruim. Eu leio o Jovem Nerd, leio o Ato ou Efeito (apesar de achar o tal do Théo extremamente duh), e nem sei quão conhecidos eles são. Eu gosto e é o que me basta.

Nunca postei sobre o super-ultra-mega-blaster videogame holográfico que ganhei ou o iPod de 16 Yb que comprei. Não vou fazer post engraçadinho pra agradar ninguém e nem comentar ou fazer piada sobra alguma notícia. Postar sobre Lost, Heroes ou Barrados no Baile? Só se eu tiver vontade, mas ando me contentando bastante em conversar com meus amigos.

Eu sempre quis fazer um podcast, mas não vou fazer. Além de ter uma preguiça (ela de novo) desgraçada eu não tenho amigos com quem fazer isso. Fora o pessoal do parkour, meus amigos não têm blog. E tirando pessoal do Hoje é um Mau Dia (RIP) e alguns gatos pingados, eu não tenho ninguém adicionado em MSN ou Orkut pra falar sobre o novo single dos Ninjas do Arrocha. Aliás, NUN-QUI-NHA, que eu vou sair da minha casa pra socializar com pessoas de outros blogs.

Meus "leitores" (?) são todos fantasmas, ninguém comenta, o que acho bom, já que me poupa o trabalho de responder. Inclusive eu leio um monte de blog e não comento, nem linko, aquela minha amiga preguiça, me impede. A minha maior visita foi num post sobre shorts curtos e pernas de fora, e metade de todos os acesso que tive provavelmente foram meus mesmos a procura de algum link.

Além de toda essa pagação bloguística eu teria outra chance de ser famosa com blogs: Ser linda, chamosa e simpática. Mas não sou bonita, não sou legal, não saio pra comer pizza com os amigos porque sou vegan, tenho recém-feitos 18 anos, um aparelho móvel, uso óculos, tenho coluna torta, piso torto e não gosto de você. Tá bom que eu pinto o cabelo de rosa, mas não sou a Marimoon (me falta muito nariz pra isso). Ah sim, Tina, e assim como você, também sei ser estúpida e grossa, então não encha o saco com a MINHA foto e deixa em paz o MEU cabelo. Eu não tenho medo algum de ficar careca, inclusive, posso raspar a cabeça a qualquer momento. Gosto de você mas acho que você podia mudar o disco.

Sabe, eu poderia escrever sem citar ninguém e ser o mais clara possível, mas eu tô pouco me fodendo. No fim das contas isso vai parecer um post de alguém remoendo suas frustrações. Minha única frustração é não ter um teletransporte, no mais eu só tô de saco cheio. A pergunta que me irritou hoje foi:
"Por que você não divulga melhor seu blog?"
Ora bolas, porque eu prefiro ficar de mimimi no MSN ou ficar de pernas pro ar. Isso aqui não é um outdoor das minhas idéias. É só um lugar com HTML mal feita onde eu quero postar sobre o cara cego no metrô, o homem que falou "iscrusive", o eclipse que eu não vi, o filme que eu vi e não gostei, o meu pseudo-existencialismo e minha irmã ao telefone.

Agora dá licença que eu tenho cubos de gelo pra enxugar.


E só pra constar e finalizar:
O NIN é uma banda demente. CD quádruplo de músicas intrumentais? Não gostei. Gosto de jiló frito e de bandas dementes, não gosto de CDs múltiplos.

segunda-feira, setembro 10, 2007

Até onde vão o egoísmo e o preconceito?

Nesse feriado aconteceu algo que me deixou com tanto ódio que até resolvi postar. Ódio MESMO, aquele sentimento primitivo, vontade de arrancar os olhos das pessoas com pinça quente.

Uso o metrô pra me locomover, e aqui onde eu moro ou é assim ou de carro, não dirijo, então vou de metrô mesmo. Sábado fui pegar o metrô, que antes não funcionava aos fins-de-semana, e no outro lado da plataforma havia um senhor cego que pegaria o metrô pra direção oposta à minha. A cada pessoa que ele ouvia passar, falava em alto e bom tom algo do tipo "Desculpa incomodar, mas eu preciso de uma ajuda. Tenho que pegar o metro X, será que você pode me ajudar?" TODAS, as pessoas passaram direto. Algumas olharam até com certa repulsa, e nem mesmo o funcionário do metrô foi ajudá-lo.

Nos fins-de-semana o metrô costuma demorar um pouco mais, então resolvi ir pra outra plataforma pra ajudar, já que pelo jeito ninguém o faria. Fui, e enquanto subia as escadas o metrô que eu pegaria passou. Falei com ele, disse que ele pegaria o próximo, avisei do pequeno espaço entre a plataforma e o trem e até fiquei esperando o metrô com ele caso precisasse de outra coisa. Enquanto isso ele me falou que é comum as pessoas ignorarem o pedido de ajuda e que várias vezes foi parar no lugar errado por isso, algumas pessoas até sacaneiam e dão informação errada. O metrô dele chegou junto com o meu, ajudei-o a entrar e tive que subir e descer escadas no maior gás possível pra tentar chegar antes das portas fecharem, não consegui. Tudo bem, perdi dois metrôs pra ajudá-lo e cheguei uma hora atrasada, mas não sinto raiva nenhuma dele.

Sinto ÓDIO das pessoas que passaram por ele, ódio mesmo, primário, primitivo, é um sentimento ridículo, mas sinto! Já dentro do trem cheguei a chorar e tremer de tanta raiva. Não porque me atrasei e tal, e sim por causa da falta de compaixão. A repulsa com a qual algumas pessoas olharam pra ele não é nem metade da repulsa que sinto por elas. Fico imaginando como essas pessoas se sentem quando precisam de ajuda e ninguém faz nada. Aliás, eu fico pensando, todo mundo faz discurso pró-solidariedade e mimimi, é um tal de "Vamos doar ao Criança Esperança!", "Teleton, liguemos!", "Oba, McDia Feliz, vamos lá pra ajudar as crianças com câncer!", e ao se deparar com esse tipo de situação a solidariedade vai toda pro saco. Ninguém quer ter contato com as pessoas que ajudam por telefone. Será que essas pessoas acham que fizeram a parte delas doando míseros 5 reais e por isso podem fingir que estão dormindo para não levantar e ceder o lugar ao idoso? Os pais estão esquecendo de educar os filhos e estão esquecendo a educação que receberam?

Já fico surpresa com a falta de comoção diante o sofrimento dos animais, mas ignorar um ser humano é demais pra qualquer um! Juro que chego a me sentir inocente cada vez que percebo como o ser humano consegue ser ruim. O que é isso? Por que as pessoas são assim? Egoísmo, preconceito? Quem dera fosse natal o ano todo, se as pessoas continuarem assim nem precisa de aquecimento global pra lascar o mundo.



P.s.: Havia um único funcionário no metrô, que ajudou o senhor a descer, ouviu o pedido de ajuda dele mas subiu as escadas e foi sentar em sua cadeirinha! Alguém sabe como faço pra reclamar a falta de um funcionário na plataforma durante os fins-de-semana e denunciar o funcionário que não prestou ajuda? No metrô mesmo, no PROCON, não tem como?

terça-feira, abril 17, 2007

Presente de Deus

Não pretendo ofender ninguém com esse post (mentira), mas eu tô passando uns tempos na casa do meu irmão pra estudar, e até agora foi a única coisa que aconteceu que merece um post. Minhas opiniões sobre religião são um tanto quanto complicadas de entender, então, só quem mora na mesma casa que eu e quem está afim de ter uma conversa não maniqueísta sobre o assunto entende.

Pois bem, quinta-feira (11/4) meu irmão me ligou para que eu viesse estudar aqui na casa dele, afinal, se eu fico em casa não estudo nunca. Lá pras 18h ele veio me buscar. Meu irmão é evangélico, e eu nunca falei sobre religão com ele. Ele não entenderia, e eu não tenho paciência pra discutir por pouca coisa e nem de ficar explicando certos assuntos. Já dentro do carro, ele disse que iria a um culto mais a noite e perguntou se eu queria ir. Como resposta esperada por ele, eu disse que não.

Meus irmãos, filhos do primeiro casamento do meu pai, moram numa casa grande, bem grande, em um bairro de Brasília onde todas as casas são grandes e as ruas pouco movimentadas. Esses bairros ricos que todos conhecem, que além de tudo costumam ser afastados. Quando eu cheguei aqui fiquei sabendo que das 4728748 pessoas que moram nesta casa, quase todas iriam presse tal culto, e as outras não estavam por aqui. Eu... er... tenho medo de ficar sozinha em casas muito grandes, e quando me toquei de que a casa ficaria vazia corri pro carro.

Eu pensava "Não vai doer nada, Natália. Você vai lá, escuta a ladainha, finge que está prestando atenção e volta!" e lá estava eu dentro do carrro me dirigindo a alguns km depois de onde Judas perdeu as botas. Pensem num lugar longe pra dedéu... Então, é um pouco mais longe, indo reto onde o vento faz a curva, quase fora do DF. Além de ser muito longe, a gente pegou um trânsito infernal e ficamos cerca de uma hora e meia no carro, eu até cochilei.

Quando a gente chegou, eu desci do carro pensando "...não vai doer, não vai doer..." Mas doeu!!!! Meus ouvidos doeram tanto que achei que fossem sangrar, eram 4 senhoras de vozes finas e desafinadas se esgoelando ao microfone fazendo o que elas chamam de "louvar a Deus". Se tem um deus lá em cima o coitado tá de tampão de ouvido pensando "Por que elas e não os Beatles?"

Assim que as 4 calaram a boca, começou o falatório fundamentalista que todos conhecem. Coisas subjetivas do tipo "Deus me disse que tem alguém aqui passando por dificuldades, venha aqui para que eu possa orar por você." E é claro que tem alguém passando por dificuldade, sempre tem. E as pessoas ficam pensando que o tal pastor conversa mesmo com Deus.

Começou a música outra vez, mas nesse ponto o que doeu foi minha paciência... As pessoas dançavam como se estivessem possuídas. Segundo as pessoas da igreja, era deus guiando-as nessa dança, era a chama de deus queimando no coração delas. Hahahahahahahahaha, eu não aguentei, foi muito difícil segurar a gargalhada, eu abaixava a cabeça para rir. Agora eu me arrependo de não ter rido descaradamente, afinal aquilo era um CIRCO! Sério, uma palhaçada sem fim.

Um monte de gente girando e caindo no chão dizendo "É deus no meu corpo!" Como o cara é mal!!! Ele faz as pessoas ficarem tontas, joga elas no chão e ri lá de cima "HAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHA, BANDO DE MANÉ!!!"

Durante o tempo todo eu me senti uma ETzinha. Entendo que sou totalmente a típica ao resto do pessoal que estava lá, mas precisa me encarar? Cadê a educação desse povo. E as idiretas do palhaço-mor (vulgo pastor)? "Tem uma pessoa muito diferente aqui e deus quer dar alegria a essa pessoa, ela está precisando disso!" Eu fingia que nem era comigo e alguém corria pra frente pra não deixar o palhaço no vácuo.

No fim do espetáculo, várias pessoas vieram falar comigo! "Deus colocou no meu coração que eu devia falar com você. Você precisa aceitar Jesus, ele tem um plano pra você." Aposto que se meu cabelo fosse preto, mas eu fosse uma assassina maldita ninguém teria plano nenhum pra mim! Eu até perdi as contas de quantas pessoas falaram que eu deveria aceitar Jesus e dos planos dele.

Lembra que eu falei que o lugar era longe, certo? Pois então, meu irmão foi pro carro dizendo que a viagem seria longa e blábláblá, e eu já estava saltitante de ouvir isso:

*Finalmente, finalmente, finalm...*

- Moça, deus colocou a mão no meu coração pra eu te falar isso. Ele tem um plano pra você

- Mais um??

- Você precisa ouvir a palavra dele e ser feliz.

- Er... Mas eu tô feliz... *principalmente por estar indo embora* Você tá falando com a pessoa errada.

- Bláblábláblá, deus blábláblá, você pode ir pro céu se realizar obras grandiosas pra deus.

- Eu não pretendo construir igrejas, mas obrigada.

- Você pode se tornar uma pessoa boa.

- Meu cabelo vai continuar dessa cor... Tenho que ir!

Fui andando, quase correndo pro carro e a mulher ainda grita:

"DEUS ME DISSE QUE VOCÊ VAI VOLTAR AQUI, ELE VAI TE TRAZER DE VOLTA!"

Foi aí que tudo ficou claro e eu entendi que tal alegria era essa de que todos falavam. Abri um sorrisão!!! Como eu não tinha entendido antes? Era tão óbvio: Deus vai me dar uma máquina de teletransporte!

sábado, março 24, 2007

O Poderoso Chefão?

fala baixinho no meu ouvido, baby! Dia desses lá fui eu cumprir minhas metas, afinal, não tenho muito o que fazer da minha vida. Fui à locadora e resolvi que levaria as três partes de O Poderoso Chefão. Até aí tudo bem, eu não faço nada da vida, era mamata, cumpriria 1 meta e parte de outras 2 em apenas um dia.

Cheguei em casa alegre e saltitante, expulsei as pessoas da sala, fiz pipoca coloquei a pipoca no microondas, busquei o edredom e voilà, estava pronta para a minha aventura. Seriam 543 minutos de filme, 9 horas e 3 minutos, tudo bem, eu aguento. DVD colocado, legendas selecionadas, era só apertar o play, e foi feito.

É claro que eu já tinha assistido os dois primeiros filmes, mas eu tinha lá meus 10, 11 anos de idade, e fora algumas cenas aleatórias eu não me lembrava de nadinha. O primeiro filme começou, e eu pensava "Quando a história começa a acontecer?" E aquela coisa casamento-escritório-casamento-escritório não passava, e eu comecei a ficar nervosa e com sono. Aí passou, e a história começou a acontecer e a se desenrolar. E o filme acabou e eu pensava comigo mesma "SÓ ISSO????"

Ida ao banheiro, água tomada, corpo alongado, o segundo DVD vai pra bandeja. Nessa hora (leia aqui, lá pelas 2 da manhã) eu já tava com sono do primeiro. Play, e 2 horas depois, Zzzzzz..., eu estava dormindo, nem cheguei a assistir o terceiro, larguei mão. O filme é bom, não nego, foi bem dirigido, aliás o tio Coppola mandou ver, o ex-gostoso-atual-gorducho do Brando atuou incrivelmente bem, e o Pacino também não fica atrás, mas vá pro inferno, precisa dessa enrolação toda? Vou dar um jeito de ler o livro e ver se é um pouco menos cansativo. Se é de dia, e você tem com quem comentar o filme, ele é uma maravilha, mas de madrugada e sozinha é totalmente fatigante.

Aí eu fico pensando, será que é a minha DDA que faz eu achar o filme enfadonho? Afinal, ele está no primeiro lugar do IMDb Top 250, ele está em todas as listas consideráveis de melhores filmes do mundo. Deve ser minha inquietude que faz o filme parecer um grande marasmo. Ou não, talvez as outras pessoas simplesmente nem pensem nisso e achem o filme bom e ponto final, sem se preocupar com quantas vezes bocejaram.

Foi mal aí, mas eu considero ótimo o meu gosto pra filmes, e considero maravilho meu senso. E também sei a diferença entre ruim e chato, afirmando que existem coisas boas que são chatas. Não me venham com pedras na mão, eu disse que o filme é bom e é mesmo, mas não é porque é bom que eu sou obrigada a gostar. Quantas mulheres não gostam de sexo? Várias. E não é nem que eu não tenha gostado, eu só não lembrava que não era isso tudo que as pessoas falam. E 'ai' do cinéfilo pseudocult saudosista que falar "Você não entendeu o filme". É difícil entender que alguém pode entender algo e não achar o máximo? Eu entendo matemática e adivinha só, acho uma grande porcaria.

Admito que é o máximo fazer brincadeiras sobre o poder dos Corleones e referências ao filme em qualquer conversa. Mas daí, a considerá-lo o melhor filme do mundo é um passo gigantesco. No máximo ele deveria estar entre os 20 primeiros. Entraria em um Top 250, em um Top 20, mas não em um Top 5! E mais uma vez, ao pensar nos filmes que as pessoas mais gostam, eu me pergunto "O Poderoso Chefão?"


Metas relacionadas ao post:
-101 em 1001 dias
23. Assistir os filmes do IMDb Top 250 do dia 22/3/2007, desde que eu consiga encontrá-los.
28. Assistir aos três filmes da série “O Poderoso Chefão” em um dia.

-101 antes de morrer
57. Assistir aos melhores filmes de todos os tempos.



P.S.: Sabe qual o pior de tudo? É que eu não consegui assistir aos três, já que eu acabei dormindo, e vou ter que tentar tudo de novo um outro dia... Num futuro não muito próximo, claro!