terça-feira, dezembro 23, 2008

Sobre um sonho, um ônibus, 14 caras e uma garota.

Eu subi despretensiosa, como quem não quer nada. Imagine a minha cara de surpresa quando vi que estavam todos ali. Todos aquele caras por quem eu já fui interessada. Aliás, todos não, só os que eu nunca consegui, por vergonha, por distância, por falta de tempo, por estar compromissada. Não importa o motivo, se eu quis beijar mas não beijei ele estava presente. E quando eu perguntei o que eles faziam ali, a resposta foi um coral "Estudamos com você!" Nem questionei, em sonho tudo faz sentido, então, se eles disseram que estudam comigo, eu acredito.

É engraçado, se me pedirem uma lista com todos os caras que já me relacionei eu vou demorar pra fazer, me esforçando pra lembrar de todos, e com certeza vou esquecer algum. Não que sejam tantos assim, mas vou esquecer alguém. Mas se me perguntarem sobre os caras de quem eu gostei mas nunca consegui/tentei nada... As platonices, ah, sei todas, com detalhes e datas. É assim mesmo, quando a gente bate a gente esquece, mas quando apanha...

O importante é que estavam todos no ônibus da escola, sentados, cada um sozinho em um banco, como se estivessem guardando um espaço pra mim, e eu tinha 14 lugares pra escolher. Mas aí eu vi um banco vazio e pareceu o lugar certo pra me sentar. Enquanto andei até ele, todos os olhares me seguiram, e isso me deixou desconfortável. Mais ainda quando eu sentei e todos continuaram a me fitar. Eu não era a única garota ali e eles não era os únicos caras, haviam pessoas que estudaram comigo de verdade, nas mais variadas séries, mas eram todos coadjuvantes, ajudando a encher o ônibus, e ainda assim eu me sentia completamente só.

Não tenho a mínima idéia de que lugar era aquele aonde o ônibus foi. Era uma espécie de shopping escola (?), com lojas e salas de aula. O intervalo era na praça de alimentação. Eí a mesma coisa na hora de procurar um lugar, só que agora eles estavam em grupo nas mesas, todas com um lugar vazio. Outra vez eu fui pra onde não tinha ninguém, e quando um grupinho com as 2 maiores paixões platônicas da minha vida chegou perto eu levantei e corri pro banheiro.

Era um banheiro de escola, só que todo azul. Entraram garotas e garotos que eu nunca vi na vida, e que provavelmente não me viam, pois fofocavam inescrupulosamente, contavam do aborto da fulana, do caso da mãe do fulano com o diretor e mil histórias mais. E eu não tenho a menor idéia de quanto tempo eu passei ali, já que medidas de tempo não fazem sentido nos sonhos.

Quando eu resolvi sair, estavam todos os 14 na porta me esperando. Eu não sei o porquê, talvez medo de estragar a platonice ou simplesmente por saber que aquilo era um sonho, mas eu fiquei calada. Deixei que todos eles me acompanhassem até o ônibus, mas não olhei nos olhos de nenhum deles e não disse uma palavra. Nunca me senti tão sozinha cercada de tanta gente. Era tudo muito incômodo.

Eu subi primeiro, assustada imaginando quem sentaria ao meu lado. Eles ficaram amontoados, prontos pra correr. Até que, os afastando pra poder passar, surge aquela menina que eu sempre vejo. De cabelo laranjado, pequena e com um sorriso bobo que te faz sorrir também. Sempre quis transformá-la em boneca. Ela passa entre eles, senta ao meu lado, sorrindo e me entrega um papel escrito "oi, tudo bem?". Eles continuaram em pé, e assim o sonho seguiu até eu acordar, eu conversando com ela através do papel, rindo muito e todos eles em pé...

sexta-feira, dezembro 19, 2008

Babaca, eu?


infelizmente!

Eu só trocaria "idiotas" por BABACAS! Eu não sei o que acontece, mas, a cada dia que passa, as pessoas me irritam mais e mais, e mais, e mais, e mais... E eu tenho vontade de chutar todas elas, ou então de colocá-las em potinhos de vidro na minha estante e só tirar quando extremamente necessário... Talvez costurar todas as bocas ou amarrar todos os dedos digitadores?

O problema é comigo? Eu sou impaciente demais? Os outros são chatos ou a chata sou eu? Provavelmente, no fundo eu também não devo passar de uma BABACA, do tipo impaciente e implicante. Melhor separar um pote com meu nome...



E só pra constar, você pode ver os outros trabalhos (muito bons) do Marc Johns aqui: 1 e 2

quarta-feira, dezembro 10, 2008

Familiares e computadores

Sem comentar sobre inclusão digital e aquelas pessoas toscas que entopem o Orkut, existem aquelas pessoas próximas a você, pessoas de quem você gosta, mas que não deveriam usar computadores at all. Quem? Simples, os familiares!

Irmãos mais novos: Não importa se o computador é seu, a menos que o pentelho tenha um próprio, ele vai usar. E vai entupir seu computador de coisas relacionadas a The Sims, e vai reclamar pra sua mãe que você não deixa ele jogar. Se seu irmão mais novo não for tão novo assim, ele pode fazer pior, e atolar sua máquina com as porcarias musicais dele, e enfiá-las no seu iTunes, pro seu desespero. E naqueles dias em que você chegar em casa desesperado pra ler seus e-mails lá estará a criaturinha, conversando com outros seres da mesma espécie ou jogando, e você vai falar pra ele sair, e ele vai dizer "já vai", mas vai enrolar um pouco, claro, eles sempre enrolam.

Nesse ponto, a solução é educá-los. Com a minha criaturinha foi assim: Eu chego em casa, aviso que quero usar e ela tem o tempo de eu comer/beber alguma coisa pra largar o Dexter, entro no quarto cantando "She said bye bye..." e se ela não sair... Bom, aí eu ameaço lamber a cara dela e ela sai correndo. Mas não adianta, esses seres não sabem se defender sozinhos e sempre vão reclamar com os pais, que vão te chamar de mesquinho ou coisa do tipo.

Pai: Pais não devem usar computadores pelo simples motivo de serem pais, eles não deveriam ter nada pra fazer, exceto trabalho. Mas eles insistem em ter e-mail, e insistem em enviar e-mails com piadas. E insistem que são muito bons resolvendo problema em computadores, afinal, eles são homens, e homens sabem resolver todos os problemas. Mas se tem uma coisa que pais não entendem é que computadores não são pias de cozinha. E que a lerdeza da conexão não tem NADA A VER com os inúmeros gigas de música que você tem. E que formatar não é a solução de todos os males. E não importa o que você diga, eles sempre vão falar que vocês entopem o computador de porcarias, e sempre vão achar que seu computador de 2002 ainda é bom em 2009.

E você ainda pode ter azar e ter um pai freak. Já ouvi casos de pai que entupiu o computador do filho com pornografia, e de pai que passava o dia procurando (e salvando) fotos de passarinhos! Porque pior que achar um arquivo chamado "Hot Lesbians Orgy XXX.rmbv" é achar um outro chamado "lindo-rolieiro-de-barriga-azul.jpg".

Mãe: Essas conseguem ser as mais chatas. Elas não mandam e-mails piadas, elas mandam .pps, ou então aqueles e-mails que te alertam sobre os perigos de conversar com estranhos na internet. Ao contrário dos pais, que não perguntam pra não darem o braço a torcer, elas não tem vergonha alguma de perguntar. Perguntam até demais,e perguntam coisas banais, do tipo "Como eu salvo uma foto do orkut dos outros?" E não adianta você ensinar mil vezes, ela vai perguntar de novo, e vai ficar brava se você ajudar de má-vontade, e vai dizer "Se for pra responder com má vontade, não precisa!", daí ela vai pegar a foto pequena e colocar no álbum dela.

By the way, o problema maior das mães é quando elas resolvem entrar no Orkut, e fuçam o seus profiles, e os de seus amigos, e colocam em seus álbuns fotos dos filhos com legendas sofríveis do tipo "minha preciosidade". E você não pode falar isso pra ela, ou então ela ficará muito chateada, e vai achar que você não a ama, fazendo aquele drama que só as mães sabem fazer!

Primos: Esses só não são piores porque não vivem com você, mas às vezes eles vêm visitar, e aí se juntam aos irmãos mais novos e a porcaria tá feita. Os irmãos mais novos dos outros junto dos seus, jogando The Sims e ouvindo música ruim, e não adianta você falar nada, eles são visitas e você tem de tratá-los bem. Ou você pode ser mal educado e ficar com a fama na família. Aliás, com eles, de qualquer jeito você vai ficar com fama, pois eles vão ver alguma coisa no seu Orkut, e vão contar pra sua tia, que vai contar pra outra tia, e pra outra, e pra outra...

Tias: As tias são que nem as mães, já que, geralmente, elas são mães de alguém. Mas as tias têm um ponto pior: Sabe aquelas 189 fotos (mal tiradas) que sua mãe tirou no almoço de família? Elas vão querer que você mande todas pra ela. E vai te mandar um e-mail pedindo isso, e você vai deixar pro dia seguinte, afinal, são quase 200 fotos. E você vai enrolar um pouco, e mais um pouco... Aí ela vai ligar pra sua mãe, que vai dizer que você não tem consideração pela família. Mas você vai continuar enrolando... SÃO 200 FOTOS PÉSSIMAS, PORRA! Aí ela vai aparecer na sua casa com um CD pra você gravá-las, e você vai ter que parar de assistir o último episódio de Prison Break e gravar pra ela.

Sorte que pelo menos os amigos você pode escolher, porque a família... PQP...

segunda-feira, dezembro 08, 2008

Eu don't spreche Deutsch.

Se você tem um pouquinho de noção de inglês ou de alemão, percebeu que o título deste post está meio embolado. A grande novidade é: Irei pra Alemanha ano que vem, vou morar lá por um ano, e mimimis. Mas o foco do post não é esse...

Óbvio que aqui em casa, e com os meus amigos, eu só falo português. Pra resolver tudo com a minha host family, eu só falo em inglês. Aliás, nunca usei tanto skype na minha vida e nunca li/escrevi tanto e-mail em inglês. O lado bom é que eu percebi que o meu tá mais afiado do que eu imaginava.

No começo minha cabeça deu um nó. Horas no skype e horas lendo em inglês, se alguém me interrompesse no meio, meu cérebro dava uma travada e eu não sabia em que idioma deveria pensar; e assim que terminava, eu simplesmente não conseguia pensar em português, enrolava e enfiavas expressões do inglês no meio das conversas. E as vezes eu simplesmente não sabia qual o equivalente ao que eu queria dizer em português. Me enrolei com "piggyback ride", "realize that", "get high", "solve this", "stuff like that" e ainda tem o uso excessivo de "well", "why", "ok", "of course", "actually". Mas como inglês todo mundo entende pelo menos um pouco, embora eu ache que estavam todos ficando irritados, dava pra lidar com isso.

Pra ir pra Alemanha, eu preciso fazer uma prova de alemão na embaixada, e como o meu é uma grande porcaria (fiz aulas em 2005 e parei de praticar no mesmo ano), resolvi sentar a bunda na cadeira e estudar all by myself. Foi aí que a coisa enrolou de vez. Eu comecei a funcionar em português, inglês e alemão. Meu cébrero parou de travar, agora ele simplesmente mistura tudo. Se alguém fala comigo em português enquanto eu estou estudando alemão, eu misturo os dois e respondo, mas eu faço isso sem perceber, e se a pessoa não fala um "WHAT?!", eu fico achando que ela entendeu direitinho.

Sometimes eu estou conversando com a Leslie (minha hostmother) e misturo inglês e alemão e nem percebo. Coisas como "My mom got tired of 'antworten' this kind of things!". E ela, feliz, diz: "Hey, did you spoke german?" E isso tá começando a ficar cada vez mais comum. Uma vez eu quis passar meu endereço pra alguém e não conseguia dizer Gebäude em português ou em inglês, por sorte eu estava skypeando com a Leslie e perguntei. Agora eu já sei, "building" ou "prédio".

Agora imaginem vocês, ontem eu ajudei minha irmã a estudar francês, falei português, inglês, alemão e enrolei um pouco de espanhol com amigos alemães. Eu nem sei mais em que idioma eu estou sonhando, tá tudo tão bagunçado que eu estou entrando numa espécie de estado afásico (? - eu eu nem sei se essa palavra existe). Meus neurônios estão fazendo um mix tão fucked up que em alguns momentos eu simplesmente esqueço as palavras, ou uso termos muito complicados pra dizer o que poderia ser dito facilmente. Só nesse final de semana eu já tive dificuldade pra nomear (em qualquer idioma) cômoda, caneta, distúrbio, microfone, lenço, sofá, entorpecido, carros amarelos... Isso sem contar da hora em que eu cismei que existe uma palavra em português para "shopping center".

Acho nem vou contar pra vocês as burrices em português. Os plurais são o que mais sofrem, coitados... Coitados mesmo são os meus parentes, amigos e followers no twitter: "Como é o nome daquele negócio onde a gente guarda roupas? Aquele com gavetas, sem ser o armário." Cômoda, sua anta, cômoda...

quarta-feira, outubro 01, 2008

Quem sou eu:

E aí, Meu Irmão, Cadê Você?

Agora eu vivo no Mundo de Leland, ao lado do Albergue Espanhol, virando a esquerda no Estranho Mundo de Jack, atravessando Uma Rua Chamada Pecado. Fica só alguns km depois de Jumanji, em frente ao Fabuloso Destino de Amélie Poulain, bem perto de Sin City. Sou a Menina do Fim da Rua. O Pecado Mora ao Lado e Da Janela Secreta sempre vejo passar O Xangô de Baker Street. Meu quarto é um Cubo, A Senha para entrar é Seven divido pelo valor de Pi. Nele guardo minha coleção de Coisas Belas e Sujas, Bonecas Russas, minha Bonequinha de Luxo e passo os dias A Espera de um Milagre. O Bebê de Rosemary chora a noite toda, mas quando ele cala a boca é um Silêncio dos Inocentes. Morar sozinha é legal, a Adaptação foi difícil, mas O Grande Truque é não ver a coisa como um Bicho de Sete Cabeças.

Todo dia acordo cedo, tomo suco de Laranja Mecânica, pego um Bonde Chamado Desejo, vou pra Fantástica Fábrica de Chocolate e converso com O Operário enquanto jogamos Domino com O Poderoso Chefão. A tarde passo na Huckabees pra comprar Café e Cigarros e depois vou ao Clube da Luta e às reuniões do Clã das Adagas Voadoras.

Os Melhores Dias de Nossas Vidas não seriam os mesmos se tivéssemos nos tornados Educadores. Mas nós todos somos Assassinos por Natureza. Eu matei Bill e ficamos Quase Famosos, mas tivemos Tempo de Recomeçar antes 'que a casa caísse' e alguém do grupo fosse Preso na Escuridão. Eu era um Anjo Rebelde, Rebelde Sem Causa, eu diria. Hoje sou uma Garota Interrompida, alguns são Hooligans, uns Freaks e outros se tornaram caras Feios, Sujos e Malvados.

Te contei? Osama quer ser Herói, Forrest parou de correr, Christiane F. teve Amnésia e Dr. Hannibal Lecter sumiu, deve estar em alguma Guerra nas Estrelas.

Respondendo à sua pergunta, quando eu era pequena peguei As Bicicletas de Belleville pra andar com Tony Montana, ele levou um Capote e é por isso que agora ele é chamado de Scarface. Alguns dizem que eu o empurrei e por isso me chamam de Menina Má . com! Hahaha, que nostálgico, lembrei que nessa mesma época eu criava 12 Macacos, um Dragão Vermelho, um Elefante, um Peixe Grande, Porcos e Diamantes. Meu pai era Taxi Driver e se achava O Iluminado. Minha mãe me deu uma péssima, digo, Má Educação. Achou ruim? Fale com Ela... Hã?? E Sua Mãe Também!

Todos vivemos Encontros e Desencontros. Pois então, certo dia vi Lola passar atrasada, e eu gritava "Corra, Lola, Corra", mas ela parecia ter acabado de comer um lanche Super Size. Me divirto com Briga de Garota, Jogos, Trapaças e Dois Canos Fumegantes.

Estudar fora adiantou, mas as vezes ainda fico 'perdida na tradução' de palavras como Trainspotting e Spun. Um dia escreverei A Outra História Americana, comprarei um tanque de guerra, casarei com um canguru e nunca mais me chamarão de Natália, serei Tank Girl.

Na minha Identidade diz que eu não nasci em 1984, mas ainda assim virei Party Monster. Alguns dizem que pra mim A Festa Nunca Termina. Ah se isso fosse verdade... Era Tudo O que Queria! Quando me sinto como Um Estranho no Ninho, deito para ver o 'Céu Líquido', coisas Queimando ao Vento, pensar mal de algum Dogma e escutar Réquiem para um Sonho. O problema é quando olho demais pro Brilho Eterno de uma Mente sem Lembranças, meus olhos ardem.

Ultimamente só tenho namorado Sexy Boys e coleciono Amores Brutos. Tenho Uma Vida Iluminada, cheia de Desventuras em Série, tive minha Juventude Transviada, Quero Ser John Malkovich. Sou como todos Os Sonhadores.

Meu Conselho? Faça a Coisa Certa, deixe de Psicose, Este Mundo é Um Hospício mesmo. A Felicidade Não Se Compra, nós fomos Os Eleitos, pare de pensar nessa Intriga Internacional, essa é uma História Real e La Dolce Vita não espera. Conta Comigo, diga "Ensina-me a Viver" e verá que a mudança é Como Água Para Chocolate.


Adeus, Lenin!
C'est La Vie.

P.S.: Aquele garoto excêntrico apareceu de novo com aquele coelho bizarro pra dizer que o mundo vai acabar.

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Foi assim que o campo "quem sou eu" do meu orkut se manteve preenchido durante... Sei lá, uns 2 anos?! Até que, há exatos 2 minutos atrás, eu cansei, oh, mas acho bonitinho demais pra mandar prum limbo mental.

quarta-feira, setembro 17, 2008

Santos, São Paulo, Brasília, Palmas

Cainã. Talvez seja Cainan, ou Kaynã. Só sei que o nome é esse. Não sei sobrenome, nem idade, nem se te irmãos. O conheci naquela segunda-feira sem nada pra fazer, quando encontraria um colega no Museu Honestino Guimarães - também conhecido como museu bolinha, ovo enterrado, nave espacial, saturno ou iglu. Deu pane no metrô, e eu nunca reclamei tanto na minha vida, roguei pragas pra todas as gerações de todos que tivessem algum pingo de culpa, cheguei uma hora atrasada. É claro que ele não estaria lá, mas "Dane-se, já estou aqui, vamos ver o que tem de bom nesse museu!"

Subi a rampa e dei de cara com as portas fechadas. Com as portas fechadas e com o Cainã. Nós dois ficamos com aquela cara de "hã? fechado?". Na verdade, estávamos é com vontade de chutar alguém, pelo menos eu estava, você também não gostaria de subir ESSA RAMPA e descobrir que foi a toa. Como boa brasiliense que sou, fiquei na minha, de boca calada, quase que ignorando a presença dele. Mas ele é santista e já veio logo falando que seria legal uma placa no começo da rampa pra evitar esforços desnecessários. Puxou a cordinha eu começo a falar!

Descemos conversando e resolvemos ir até o andar debaixo ver se tinha alguma coisa. Só tinha um guardinha pra nos informar que o museu não funciona às segundas. MAS HEIM??? Você com certeza não entende o quão desgraçante é isso. Segunda-feira a tarde em Brasília em pleno mês de setembro significa um sol rachando na sua cabeça, um calor dos infernos, nada interessante acontecendo e o ar seco. Planos completamente frustrados e aquela sensação de "QUE PORRA EU VOU FAZER AGORA?"


Oi, eu não funciono às segundas-feiras.


Até esse momento eu só pensava em como seria bom descontar toda essa frustração no primeiro fela que surgisse na minha frente, eis que eu olho pro lado e ele ainda está lá, de camisa verde, calça jeans, mochila preta e uma câmera na mão. Não olhei pros pés, não sei o que ele calçava, sei que ele tinha um sorriso bom, daqueles que te dão vontade de sorrir também. Estava totalmente pronto pra conversar sobre o que fosse. Talvez ele não tivesse nada demais, não tinha tatuagens visíveis e nem era o Rick Genest, mas eu fiquei encantada. Assim, por nada.

Propus que fizéssemos algo, sugeri o CCBB (que mais tarde descobri que também não funciona segunda) e fomos caminhando em direção a nada. Ele me contou que é de Santos mas mora em São Paulo, onde faz engenharia. Não perguntei qual. "E o que diabos você tá fazendo aqui?". Ele ia a um encontro universitário em Palmas (TO) e resolveu conhecer a capital. Nada muito específico, eu falei um pouquinho de nada sobre mim e depois não conversamos mais nada pessoal, começamos a conversar coisas genéricas e aleatórias, principalmente sobre o que gostávamos ou não onde morávamos. Na verdade, eu lembro direitinho de tudo da conversa, das piadinhas sem graças que eu fiz e de como ele andou por todo o Eixo Monumental visitando tudinho.

Durante essa caminhada sem rumo, recebo uma ligação daquele colega que eu iria encontrar. Perguntou onde eu estava, onde eu queria ir e falou que passaria pra me buscar de carro. Enquanto eu falava ao celular, o Cainã me deu tchau, disse que pegaria ônibus até a rodoferroviária pra esperar o ônibus pra Palmas. Mas tava muito cedo, vi ele se afastando e me deu uma agoniazinha, um desespero, eu não queria que ele fosse. Desliguei, gritei pra ele voltar. Ele voltou, mas não existia um motivo pra isso, não tinha nada pra fazer.

Daí eu não lembro porquê, mas a gente resolveu correr até o Teatro Nacional pra tentar subir nos bloquinhos. Atravessamos as pistas irresponsavelmente, corremos pelo gramado, paramos pra ele tirar fotos de corujas (ele tirava foto de tudo). Atravessamos pistas responsavelmente e descobrimos que os bloquinhos foram retirados sabe-se lá pra que, provavelmente alguma restauração. Eu me senti culpada por tê-lo feito correr aquilo tudo pra nada. Mas ele não parava de sorrir, despreocupado, quase que dizendo pra eu relaxar... Só com o sorriso.



Oi, nós não existimos mais.



Mais fotos tiradas, dessa vez resolvemos atravessar tudo sem pressa, conversando mais sobre aleatoriedades. Talvez fosse a despretensão da situação. Uma brasiliense e um santista sem obrigação alguma, andando numa cidade besta, num calor besta. Não era só o sorriso, eu não sei o que tinha nele, mas eu não queria chegar do outro lado, esperava ficar andando no gramado seco, conversando água até cansar. Já nem me importava com tanta coisa que deu errado num dia só.

Infelizmente, uma hora meu colega chegou, e o Cainã preferiu não ir com a gente pra que não ficássemos presos ao horário do ônibus dele. Por um momento eu pensei em fechar a porta do carro, falar um foda-se bem grande, abandonar meu colega ali mesmo e continuar caminhando com o Cainã. Eu realmente não queria que ele se fosse. Mas aí seria descaso demais até pra minha falta de educação. Ele me passou o número dele, eu salvei no meu celular, me despedi, desejei boa viagem, entrei no carro e o resto do dia foi nada comparado àquele pedacinho da tarde.

Cainã nem sabe, mas se tornou eterno nessa Brasíla!




Ele fica em Tocantins até domingo, quando acaba o tal encontro de sei-lá-o-quê. Na volta ele passa aqui em Brasília outra vez. Eu fiquei aqui, morrendo de vontade de ligar pra ele, mas sem coragem alguma. E me toquei de que, mesmo totalmente encantada, não sei praticamente NADA sobre ele. Ê, vida...

sábado, agosto 16, 2008

Cérebro, o que faremos esta noite?

[pinky mode off]

Não sei se é só comigo, mas eu tenho um desespero constante de sair do Brasil e morar fora por um tempo. Não que eu não goste daqui, adoro, mas é aquela vontade de conhecer tudo, e ir a todos os lugares. Conhecem aquele papo clichê de cidadões do mundo e blábláblá, né? Quero ver o planeta todo, de uma ponta a outra. Os menores países, nos lugares mais escondidos. De NY ao fiofó de Timbuktu e bater um papo com todos os 23 moradores de Hum. Foi assim a minha vida inteira, e já fiz vários tipos de planos. Só que Murphy deve estar sempre ao meu lado, dando um jeito de atravancar meu caminho.

Planejei ir pra Alemanha, fiz aulas de alemão, me lasquei em física e tive que deixar pra lá; planejei ir pra França mas não tinha idade suficiente; me ofereceram uma bolsa pra estudar na Califórnia mas não tinha a grana pra me sustentar lá (eu nunca contei isso pros meus pais); pensei em fazer um ano de faculdade aqui e depois me mudar pra Itália mas não passei no vestibular. Isso sem contar o tanto de mochilão que eu já jurei fazer, pelos mais diversos lugares de todos os continentes; mas, como era de se esperar, sempre acontece alguma coisa pra atrapalhar. Eu, inclusive, quis jogar um dardo no mapa e viajar pra onde ele caísse, mas eu não tinha um dardo...

Pequena pausa para uma pequena observação:
Reparem como eu não tenho um objetivo específico. Não existe um lugar único que seja o alvo de todos os meus desejos. Meu interesse não é centralizado. Reparem, também, como eu usei três orações pra dizer a mesma coisa. Pronto, voltando...

Como toda pessoa comum, quando meus planos são frustrados eu acabo deixando tudo de lado, desanimando da idéia aos poucos e, por fim, esquecendo completamente. Eu até que podia lutar um pouquinho mais e talvez conseguir, mas isso era demais pra minha paciência. Eu queria tudo de uma vez, e queria na hora, levava muito a sério o "Live fast, die young, leave a beautiful corpse". Ainda tenho um pouco disso, mas aprendi que pra conseguir certas coisas (quando você não é rico) é necessário um planejamento a longo prazo.

Se tudo der certo, o mundo será meunos próximos 3 anos eu vou morar no Canadá, serei voluntária em alguns países da África, passarei um tempo estudando inglês no Reino Unido e depois disso eu tenho inúmeras rotas pra cumprir. Mas primeiro eu me mato de estudar física, química e matemática pra passar no vestibular aqui e facilitar meu objetivo de conquistar a Ásia, a África e um terceiro continente a sua escolha viajar pelo globo todo.

Agora eu tenho idade suficiente pra qualquer coisa, uma graninha guardada e tempo pra desenrolar o que Murphy complicar. Até comprei um dardo!

E não se esqueçam, como já dizia o sábio, "Se você não tem um objetivo na vida, escolha um dos objetivos do War".

[pinky mode on]
Cérebro sabia que ZORT ao contrário é TROZ? TROZ! TROZ! TROZ!!!

~Narf!

quarta-feira, julho 23, 2008

Love is a fucking bitch

Bem barata, com esmalte vermelho descascado. Eu já comentei por aqui que me apaixono que nem troco de roupa? Hoje eu tô meio existencialista. Esse papo de que não dá pra sair amando todo mundo é tão balela quanto o papo de que você morre se comer manga e beber leite.

Só hoje eu me apaixonei 4 vezes, e adivinhem só: Vou dormir sozinha e sem ninguém na cabeça. Infortúnio! Ou não.

É claro que isso não faz mal nenhum pra mim, pelo menos não que eu tenha percebido, mas pros garotos... Ah, me desculpem, guris, é que eu enjôo muito fácil. Mas vocês têm uma grande parcela de culpa, eu não gosto disso, vocês que pedem. Guardem seus charmes na gaveta e eu juro que não brinco mais com cabeças e corações alheios.

Eu ando um pouco Holden Caulfield.

quarta-feira, junho 04, 2008

Desenterrando um bloco de notas

Em 13 de dezembro de 2006 eu provavelmente estava triste por terminar a escola (que doente!) e escrevi isso num bloco de notas:

"Eu quero reunir pessoas legais e que gostem e entendam de filmes bons pra assistir filmes bons em alguns lugar legal! By the way, já ouviu falar de clube do livro? Eu quero uma espécie de clube dos filmes, livros, cds e dvds. Também quero um clube dos jogos de tabuleiro!

Não suporto pensar que agora que o terceiro ano acabou eu vou ter que ficar a toa por um tempo. Isso não é justo, preciso de distrações. Vou acordar cedo, fazer coisas simples, planejar uma festa, ir a outra e dormir tarde. Só vou dormir 4h por dia, os cochilos no ônibus/metrô/qualquer lugar não contarão.

Quero uma banda nova, fazer todos os esportes, estudar todos os idiomas, aprender a tocar bateria, comprar cordas novas pro meu baixo, importar jogos de tabuleiro, comprar tintas, pintar quadros e paredes, comprar máquina e filme, revelar fotografias, entrar em ônibus que eu nunca peguei só pra ver até onde vai e quando chegar no ponto final atravessar a rua e pegar outro pra voltar pra casa.

Vou assistir todos os vídeos do youtube, gravar vídeos engraçados, gastar montes de dinheiro com cds, livros e dvds e decorar cada detalhe de todos. Vou arranjar um namorado que more perto (mas nem tanto), um namorado que diga "i'd rather dance with you" e dance que nem no clipe, mas que tenha um jeitão Pete Doherty+Julian Casablanca e uma carinha de Fab Moretti+John Hassall. E eu juro que nunca vai sobrar tempo."

Pra começar, eu não morri e hoje não escreveria nada do que escrevi naquele dia. Eu achava que podia abraçar o mundo com as pernas. Queria tudo, queria fazer tudo, ainda quero! Inocente... Acordar cedo? Que palhaçada, hoje eu levantei mais ou menos às 13h30. Festas, ahhh sim, as festas, não planejei nenhuma! Minha banda nova já está no fim, aprendi a tocar duas músicas na bateria, comprei as cordas, mas meu baixo agora mora na casa da guitarrista da banda, aqui fica a guitarra. o.O?

Os jogos de tabuleiro, junto da pasta de palmito+pão sírio, viraram uma espécie de detalhe fundamental nas reuniões com os amigos do parkour. Comprei tintas, pintei paredes, aprendi a revelar fotografia, tirei foto com caixa de fósforo e com lata de nescau, pintei minha cara, pintei a cara dos outros, pintei. Gastei montes de dinheiro, mas não comprei metade do que eu queria, as coisas são muito caras. Gravei muitos vídeos engraçados, nunca tive coragem de colocá-los no youtube.

Namorado? Tive alguns, uns pertos, um lá em Florianópolis, cansei de viajar, cansei da cara dele, tchau! Hoje apaixono e desapaixono por Petes, Julians, Fabs e Johns. O tempo inteiro, assim como quem troca de roupa. Aliás, ando sentindo bastante nojo do Pete Doherty. Resolvi não perder tempo com namorados e sim com os amigos, agora eu já não perco tempo com ninguém.

Esse negócio de entrar ônibus que eu não sei onde vai com certeza daria em MERDA! Já até me imagino indo parar nos confins do inferno sem saber como voltar. Daí eu seria assaltada-estuprada-esquartejada ou eu teria que ligar pros meus pais me buscarem e escutaria uma bronca animal.

O tempo passa, o tempo voa (e a poupança Bamerindus continua numa boa) e eu agradeço por não ser tão bobinha quanto eu era aos 16. Ainda quero reunir pessoas legais e que gostem e entendam de filmes bons pra assistir filmes bons em alguns lugar legal. Quer? Ahhh, continuo gostando do clipe, e se você prefere dançar comigo é só chamar, hoje me sobra MUITO tempo.




terça-feira, junho 03, 2008

Homens

Eu quero que todos morram escaldados...

Menos meu pai, meus irmãos e o Lamim (só porque ele já tá sofrendo demais)! E agora eu resolvi que também não quero que o Jack seja escaldado, ele é bem wubwub.