segunda-feira, setembro 10, 2007

Até onde vão o egoísmo e o preconceito?

Nesse feriado aconteceu algo que me deixou com tanto ódio que até resolvi postar. Ódio MESMO, aquele sentimento primitivo, vontade de arrancar os olhos das pessoas com pinça quente.

Uso o metrô pra me locomover, e aqui onde eu moro ou é assim ou de carro, não dirijo, então vou de metrô mesmo. Sábado fui pegar o metrô, que antes não funcionava aos fins-de-semana, e no outro lado da plataforma havia um senhor cego que pegaria o metrô pra direção oposta à minha. A cada pessoa que ele ouvia passar, falava em alto e bom tom algo do tipo "Desculpa incomodar, mas eu preciso de uma ajuda. Tenho que pegar o metro X, será que você pode me ajudar?" TODAS, as pessoas passaram direto. Algumas olharam até com certa repulsa, e nem mesmo o funcionário do metrô foi ajudá-lo.

Nos fins-de-semana o metrô costuma demorar um pouco mais, então resolvi ir pra outra plataforma pra ajudar, já que pelo jeito ninguém o faria. Fui, e enquanto subia as escadas o metrô que eu pegaria passou. Falei com ele, disse que ele pegaria o próximo, avisei do pequeno espaço entre a plataforma e o trem e até fiquei esperando o metrô com ele caso precisasse de outra coisa. Enquanto isso ele me falou que é comum as pessoas ignorarem o pedido de ajuda e que várias vezes foi parar no lugar errado por isso, algumas pessoas até sacaneiam e dão informação errada. O metrô dele chegou junto com o meu, ajudei-o a entrar e tive que subir e descer escadas no maior gás possível pra tentar chegar antes das portas fecharem, não consegui. Tudo bem, perdi dois metrôs pra ajudá-lo e cheguei uma hora atrasada, mas não sinto raiva nenhuma dele.

Sinto ÓDIO das pessoas que passaram por ele, ódio mesmo, primário, primitivo, é um sentimento ridículo, mas sinto! Já dentro do trem cheguei a chorar e tremer de tanta raiva. Não porque me atrasei e tal, e sim por causa da falta de compaixão. A repulsa com a qual algumas pessoas olharam pra ele não é nem metade da repulsa que sinto por elas. Fico imaginando como essas pessoas se sentem quando precisam de ajuda e ninguém faz nada. Aliás, eu fico pensando, todo mundo faz discurso pró-solidariedade e mimimi, é um tal de "Vamos doar ao Criança Esperança!", "Teleton, liguemos!", "Oba, McDia Feliz, vamos lá pra ajudar as crianças com câncer!", e ao se deparar com esse tipo de situação a solidariedade vai toda pro saco. Ninguém quer ter contato com as pessoas que ajudam por telefone. Será que essas pessoas acham que fizeram a parte delas doando míseros 5 reais e por isso podem fingir que estão dormindo para não levantar e ceder o lugar ao idoso? Os pais estão esquecendo de educar os filhos e estão esquecendo a educação que receberam?

Já fico surpresa com a falta de comoção diante o sofrimento dos animais, mas ignorar um ser humano é demais pra qualquer um! Juro que chego a me sentir inocente cada vez que percebo como o ser humano consegue ser ruim. O que é isso? Por que as pessoas são assim? Egoísmo, preconceito? Quem dera fosse natal o ano todo, se as pessoas continuarem assim nem precisa de aquecimento global pra lascar o mundo.



P.s.: Havia um único funcionário no metrô, que ajudou o senhor a descer, ouviu o pedido de ajuda dele mas subiu as escadas e foi sentar em sua cadeirinha! Alguém sabe como faço pra reclamar a falta de um funcionário na plataforma durante os fins-de-semana e denunciar o funcionário que não prestou ajuda? No metrô mesmo, no PROCON, não tem como?

terça-feira, julho 31, 2007

Pseudo-existencialismo pelo preço da passagem

Você sai, encontra as mesmas pessoas de sempre, não faz nada muito novo, tem as mesmas conversas batidas. Você adora estras conversas, sempre rendem bastante assunto, clichê, mas assunto. Você gasta alguns trocados com junkie food e ilude-se achando estar satisfeita com isso que alguns insistem em chamar de comida. Dá um passeio bobo e vai cada um prum lado continuar o que insistimos em chamar de vida.

Você vai de metrô pra casa, você gosta do metrô da sua cidade, é limpo mas ainda assim mantem o clima de cidade. Aquele clima de "jogamos lixo no chão, pixamos paredes, andamos apressados, buzinamos, soltamos fumaça e achamos tudo isso lindo. Somos desempregados, workaholics, fashions, undergrounds, somos tudo num lugar só". 2 reais o ticket, pra você é apenas o troco da batata frita, tem gente que não tem grana pro metrô e muito menos pra batata frita, mas você não gosta de pensar nisso, não é confortável. Já no metrô você observa as pessoas e tenta imaginar como são as vidas delas por trás de todos os olhares vagos e jeitos caricatos. Será que todos levam vidas semelhantes à sua? Impossível, por mais rotineira que sua vida costume ser ela é inigualável. Mas e como são essas vidas alheias?

São pessoas com idéias e crenças diferentes, mas no fim todas acabarão como você, simplesmente acabarão. Mas isso nem importa, cada uma acredita em algo. Você se preocupa com isso, algumas acreditam tanto que deixam de fazer certas coisas para terem uma possível morte boa. É isso, algumas pessoas vivem para morrer. Vivem de forma regrada e chata pra morrer bem. Deixam de viver cedo de mais e insistem em chamar isso de vida.

Você para de pensar nesses rostos diferentes, e ao mesmo tempo tão iguais, e olha pra janela. Está a noite e você consegue ver seu reflexo, você vê a mesma cara de sempre e se assusta com tanto esforço pra mudar e acabar sempre igual. Você é sempre você e não há muitas situações que possam mudar isso. Você olha além do vidro, está escuro, você enxerga apenas algumas luzes e sombras, mas você reconhece esse lugar. Você já fez esse mesmo caminho centena de vezes antes. O mesmo caminho, pro mesmo lugar, de volta pra mesma vida de sempre. Oh, doce rotina...

Você finge que não, mas você gosta de voltar pra casa. Lá você pode ser tudo e nada. Você pode ser o que você quiser! Suas coisas estão lá, suas manias também. Oh, doce casa, oh, doce lar que abriga sua doce rotina. E mais uma vez você se lembra de que está mais perto e se pergunta quão perto as outras pessoas estão de suas casas e rotinas. Será que são doces que nem a sua?

Você acha engraçada a forma como essas pessoas te olham e se pergunta se elas fazem os mesmos questionamentos que você. Você gostaria de mergulhar no cérebro de cada uma delas e vasculhar cada cantinho, mas aí você se lembra de que além de idéias veria angústias. Você é do tipo que nunca fica triste por você, mas sente a dor dos outros. Você já tem angústias e frustrações demais, então desiste dos cérebros alheios. Você não é altruísta a ponto de querer agüentar sofrimentos alheios, já bastam os seus, mas você os agüenta mesmo sem querer. Talvez se você fosse forte o bastante pra agüentar toda a dor do mundo, mas você não é, então então abandona essa idéia...

Você desce do metrô, anda alguns minutos, deseja boa noite às mesmas pessoas de sempre, e chega no seu cantinho, finalmente sua rotina está de volta. Amanhã você tenta fugir dela outra vez, agora você vai aproveitá-la.


Continua...


Muita coisa pra dizer, pouca coisa pra dizer, muito tempo pra escrever, pouco tempo pra escrever, muita coisa pra fazer, coisa nenhuma pra fazer, muita vontade de postar, imensa preguiça de postar. Eu não morri.

quinta-feira, junho 21, 2007

Pseudo-existencialismo barato e rotineiro

Você acorda, já passou da hora do almoço e nem vale a pena tomar café da manhã. Se levanta, escova os dentes, lava a cara... Ainda um pouco sonolenta volta pro quarto e senta em frente ao computador pra esperar o gosto de pasta de dente diminuir e poder comer. Liga a música, olha o Orkut e todas as coisas que você vê todos os dias. Aquele gostinho de menta que você tanto gosta diminui bastante e você vai até a cozinha, seria mais fácil pedir pra alguém fazer seu prato, mas você insiste em andar até lá pra não se sentir tão a toa.

Salada, arroz, feijão e um complemento. A mesma coisa de sempre, as vezes muda, mas no geral é sempre a mesma coisa. Você poderia sentar-se à mesa, mas não vai fazer muita diferença, não há alguém pra sentar com você, estão todos ocupados e distantes cuidando de suas próprias vidas. E você volta pra frente da telinha luminosa, come tudo e finge que está vivendo. Você não quer levantar, mas tem que levar seu prato de volta e escovar seus dentes, então o faz contrariada. Pensa em aproveitar que já está no banheiro pra tomar banho, mas decide continuar no seu pijama e volta pro quarto.

Dessa vez você decide tentar ser uma pessoa muito criativa. Pausa a música que está tocando, liga o amplificador, pega o papel e a caneta. E suas músicas são tão ruins que você se frustra. Você tem idéias tão boas, influências melhores ainda, mas sua cabeça está tão cheia de tudo e nada que ambos se misturam e viram uma grande porcaria. Semana passada não era assim, essa semana é. Play outra vez, você olha pro chão e vê suas meias usadas largadas, seu tênis imundo, suas coisas espalhadas. Pensa em arrumar tudo, mas só pensa. Olha novamente e dessa vez vê papéis, lápis e mais uma chance de se sentir uma pessoa criativa. Uma ótima chance, aliás, você desenha bem e sabe disso, mas mais uma vez não faz nada. Pensar é fácil demais, e como, mas você não tem vontade alguma de fazer, e mais uma vez sente toda a frustração de tantos "deixa pra lá".

Você sabe que deve sair de casa e fazer alguma coisa, mas aí você pensa que vai chegar em casa e vai ser tudo a mesma coisa. Semana passada não era assim, essa semana é. Já se passaram duas horas desde que acordou e tudo continua improdutivo. Sai do seu quarto e pensa "Que grande passo!" liga a TV pra assistir as mesmas séries de meia hora que assiste sempre, e o grande passo se torna um carro andando de ré. Ninguém te liga, você mantém seu celular desligado e nunca passa o telefone de casa. As pessoas te irritam, mas você continua achando que elas sempre aparecerão quando você quiser. Melhor ir tomar banho.

Você não gosta de rotina, então dessa vez começa lavando os braços primeiros. Quanta evolução, heim! O banho é a única hora (na verdade 15 minutos) em que você realmente pensa sobre tudo com cuidado. Pensa tanto que chega a conclusão de que gosta do modo como está sua vida. Você não tem muitas obrigações, aliás, não tem nenhuma, é tudo um grande descanso. É, você gosta. Semana passada não gostava, essa semana gosta. Você lava o cabelo e como sempre não se dá ao trabalho de penteá-lo. Pra que? Aliás, por quê? Ele está desbotado, bagunçado e o corte já se perdeu, mas você não se importa. Passa a toalha e deixa secar do jeito que está. Não te agrada, mas não te incomoda; você não vai sair mesmo e se fosse faria tudo do mesmo jeito. Na hora de vestir a roupa acaba vestindo pijama, não o mesmo de antes mas ainda assim um pijama.

Já escureceu e você reparou que não passou o dia inteiro estudando, e você não pretende fazer Direito como meio mundo, aliás, você odeia Direito. Ele gosta, você não. Você não acredita na justiça, você é totalmente descrente com o mundo. Semana passada não era, essa semana é. Você não está afim de conversas pseudo-intelectuais. Você só quer se encher de café e assistir seus filmes. Desliga a música, assiste 3 ou 4 filmes e chega de filmes por hoje. Também não está com vontade de escrever sobre eles. Semana passada estava, essa semana não está. Não quer mais saber de música. Faz outra coisa, qualquer coisa.

Começa conversas frias, repetitivas e sem graça, mas ao mesmo tempo começa outras boas conversas. Todas separadas por telas e vários km. Você podia pegar um metrô e conversar cara a cara, mas ficar debaixo das cobertas com seu pijama é melhor. Mais café, madrugada, a mesma coisa. Amanhã você vai sair, agora você vai tomar outro banho e vai dormir.


Continua...




Voltei, demorei, mas voltei. WGAMO voltou também.

terça-feira, abril 24, 2007

Um blog, CDs e uma campanha

Já ficou clara a minha falta do que fazer, ainda mais agora que voltei pra casa e só volto pra casa do meu irmão novamente na quinta-feira. Uma amiga me chamou pra postar num blog sobre música. Blog novinho, recém-nascido. Este aqui...

E por falar em música, eu tenho minha coleção de CDs, sabe? Gosto bem mais deles do que de MP3. Amo sentar no chão da sala, ou então deitar na minha cama e ficar ouvindo o CD enquanto vejo o encarte. Aliás, não há nada melhor do que comprar um CD, tirar aquele plástico que o envolve e abrí-lo, vasculhando cada pedacinho em busca de fotos e o que mais tiver pra gente ver. Também adoro chegar em casa com um CD novinho, escutá-lo mil vezes e depois colocá-lo junto aos outros CDs, obedecendo a ordem alfabética, óbvio. É assim também com os DVDs e os livros, mas o assunto é música, então...

Eu acho que odeio os MP3 players. Tá, mentira, eles são uma benção, mas ninguém mais tem discman. Eles sim eram uma benção das grandes. Eu saía da loja com meu recém-adquirido cd e já botava pra tocar. Meu último discman quebrou, e eu não acho mais pra vender, agora tenho que esperar chegar em casa pra ouvir as músicas que estão guardadinhas na minha bolsa, pedindo para serem escutadas.

Tenho bem mais músicas no meu computador do que tenho em CD, não minto, e sou baixadora de música compulsiva, mas eu prefiro o compact disc, e talvez não baixasse tanta música se os meu queridinhos fossem mais baratos. É sério, cada vez que eu compro um CD meu bolso chora, e sou obrigada a escutar comentários do tipo "Você é a única pessoa que eu conheço que compra CDs originais!" Como se alguém falsificasse CD 'do' The Clash, do Arctic Monkeys, do Sahara Hotnights ou do Forgotten Boys. E mesmo se falsificassem eu não compraria, gosto do original bonitinho na minha estante.

Pena que eu não sou rica. Quer dizer, pena que eles não combram menos pelos compactos, afinal, música deveria ser mais acessível. Mas então, já que eu não sou rica nem nada, vocês poderiam me doar CDs... Sério, eu adoro ganhar CDs de presente, vale-cds também. Amo ficar horas nas lojas escolhendo e calculando quantos poucos vou poder comprar com meu precioso dinheirinho e com os vale-cds.

Que tal uma campanha? "AUMENTE A COLEÇÃO DE CDs DA NATÁLIA!! Natália feliz é Natália escrevendo bem!" Uma boa, né? Então, comprem CDs pra mim, me mandem aqueles CDs que vocês não escutam mais, se eu não gostar eu troco com alguém, ou então vendo e compro outro. Me mandem vale compras, demos de bandas da sua cidade, é essas mesmos que as bandas vendem por 2 reais nos shows. Me mandem demos das suas bandas, eu escuto e se gostar ainda saio divulgando por aí. Eu também gosto dos vinis, mas esses eu não tenho onde tocar, mas podem mandar que no futuro eu compro uma vitrola.

A Tina já me mandou dois EPs do Yeah Yeah Yeahs, faça a sua parte. Natália com CD novo é Natália feliz, Natália feliz é Natália escrevendo bem.

Last.fm: Juliette and the Licks - Mind Full Of Daggers

PS.: Isso é sério, se alguém comprar um CD pra mim, ou quiser me doar cd velharia, ou até vender algum mais barato é só me mandar e-mail. Eu quero MESMO!

terça-feira, abril 17, 2007

Presente de Deus

Não pretendo ofender ninguém com esse post (mentira), mas eu tô passando uns tempos na casa do meu irmão pra estudar, e até agora foi a única coisa que aconteceu que merece um post. Minhas opiniões sobre religião são um tanto quanto complicadas de entender, então, só quem mora na mesma casa que eu e quem está afim de ter uma conversa não maniqueísta sobre o assunto entende.

Pois bem, quinta-feira (11/4) meu irmão me ligou para que eu viesse estudar aqui na casa dele, afinal, se eu fico em casa não estudo nunca. Lá pras 18h ele veio me buscar. Meu irmão é evangélico, e eu nunca falei sobre religão com ele. Ele não entenderia, e eu não tenho paciência pra discutir por pouca coisa e nem de ficar explicando certos assuntos. Já dentro do carro, ele disse que iria a um culto mais a noite e perguntou se eu queria ir. Como resposta esperada por ele, eu disse que não.

Meus irmãos, filhos do primeiro casamento do meu pai, moram numa casa grande, bem grande, em um bairro de Brasília onde todas as casas são grandes e as ruas pouco movimentadas. Esses bairros ricos que todos conhecem, que além de tudo costumam ser afastados. Quando eu cheguei aqui fiquei sabendo que das 4728748 pessoas que moram nesta casa, quase todas iriam presse tal culto, e as outras não estavam por aqui. Eu... er... tenho medo de ficar sozinha em casas muito grandes, e quando me toquei de que a casa ficaria vazia corri pro carro.

Eu pensava "Não vai doer nada, Natália. Você vai lá, escuta a ladainha, finge que está prestando atenção e volta!" e lá estava eu dentro do carrro me dirigindo a alguns km depois de onde Judas perdeu as botas. Pensem num lugar longe pra dedéu... Então, é um pouco mais longe, indo reto onde o vento faz a curva, quase fora do DF. Além de ser muito longe, a gente pegou um trânsito infernal e ficamos cerca de uma hora e meia no carro, eu até cochilei.

Quando a gente chegou, eu desci do carro pensando "...não vai doer, não vai doer..." Mas doeu!!!! Meus ouvidos doeram tanto que achei que fossem sangrar, eram 4 senhoras de vozes finas e desafinadas se esgoelando ao microfone fazendo o que elas chamam de "louvar a Deus". Se tem um deus lá em cima o coitado tá de tampão de ouvido pensando "Por que elas e não os Beatles?"

Assim que as 4 calaram a boca, começou o falatório fundamentalista que todos conhecem. Coisas subjetivas do tipo "Deus me disse que tem alguém aqui passando por dificuldades, venha aqui para que eu possa orar por você." E é claro que tem alguém passando por dificuldade, sempre tem. E as pessoas ficam pensando que o tal pastor conversa mesmo com Deus.

Começou a música outra vez, mas nesse ponto o que doeu foi minha paciência... As pessoas dançavam como se estivessem possuídas. Segundo as pessoas da igreja, era deus guiando-as nessa dança, era a chama de deus queimando no coração delas. Hahahahahahahahaha, eu não aguentei, foi muito difícil segurar a gargalhada, eu abaixava a cabeça para rir. Agora eu me arrependo de não ter rido descaradamente, afinal aquilo era um CIRCO! Sério, uma palhaçada sem fim.

Um monte de gente girando e caindo no chão dizendo "É deus no meu corpo!" Como o cara é mal!!! Ele faz as pessoas ficarem tontas, joga elas no chão e ri lá de cima "HAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHA, BANDO DE MANÉ!!!"

Durante o tempo todo eu me senti uma ETzinha. Entendo que sou totalmente a típica ao resto do pessoal que estava lá, mas precisa me encarar? Cadê a educação desse povo. E as idiretas do palhaço-mor (vulgo pastor)? "Tem uma pessoa muito diferente aqui e deus quer dar alegria a essa pessoa, ela está precisando disso!" Eu fingia que nem era comigo e alguém corria pra frente pra não deixar o palhaço no vácuo.

No fim do espetáculo, várias pessoas vieram falar comigo! "Deus colocou no meu coração que eu devia falar com você. Você precisa aceitar Jesus, ele tem um plano pra você." Aposto que se meu cabelo fosse preto, mas eu fosse uma assassina maldita ninguém teria plano nenhum pra mim! Eu até perdi as contas de quantas pessoas falaram que eu deveria aceitar Jesus e dos planos dele.

Lembra que eu falei que o lugar era longe, certo? Pois então, meu irmão foi pro carro dizendo que a viagem seria longa e blábláblá, e eu já estava saltitante de ouvir isso:

*Finalmente, finalmente, finalm...*

- Moça, deus colocou a mão no meu coração pra eu te falar isso. Ele tem um plano pra você

- Mais um??

- Você precisa ouvir a palavra dele e ser feliz.

- Er... Mas eu tô feliz... *principalmente por estar indo embora* Você tá falando com a pessoa errada.

- Bláblábláblá, deus blábláblá, você pode ir pro céu se realizar obras grandiosas pra deus.

- Eu não pretendo construir igrejas, mas obrigada.

- Você pode se tornar uma pessoa boa.

- Meu cabelo vai continuar dessa cor... Tenho que ir!

Fui andando, quase correndo pro carro e a mulher ainda grita:

"DEUS ME DISSE QUE VOCÊ VAI VOLTAR AQUI, ELE VAI TE TRAZER DE VOLTA!"

Foi aí que tudo ficou claro e eu entendi que tal alegria era essa de que todos falavam. Abri um sorrisão!!! Como eu não tinha entendido antes? Era tão óbvio: Deus vai me dar uma máquina de teletransporte!

segunda-feira, abril 09, 2007

Quero minha infância de volta

Não, isso não é um post sobre meu feriado, sobre chocolate, sobre 1º de abril (meu dia favorito do ano) e muito menos é um post nostálgico. Eu só quero minha infância de volta, agora, e com tudo que ela tinha. Até meus meus 14 anos, minha imaginação era extremamente fértil, dos 8 anos de idade aos 12 então, nem se fala. Eu escrevia sobre tudo, desenhava tudo, falava de tudo, tinha mil histórias na minha cabeça, imaginava mil coisas, mil brinquedos.

Parece que minha imaginação foi me abandonando conforme os namoros ficavam sérios. Acho que sou precoce, meu primeiro namoro, namoro mesmo de "Estamos namorando!" "Esse é meu namorado" foi aos 12 anos, durou até março de 2003, 5 meses pra ser mais exata. Aos 13 vieram alguns outros namorados, nada demais e nem importante, nenhum desses durou mais que dois meses, e eu enjoei da cara de todos. Eu sempre tive aquele garoto de quem gostava muitão, e entre um namoro e outro a gente 'ficava' (ô termo tosco!).

Aos 14 anos veio o meu namoro mais sério (e minha imaginação foi toda embora), apresentei o garoto aos meus pais, fui apresentada aos pais dele e todas aquelas formalidades que teoricamente definem a seriedade de um namoro. Aos 15 anos esse namoro terminou da forma mais estranha possível. Algumas paixões de inverno, outras de verão, primavera ou outono, alguns namoros a distância com direito a visitas mensais, um namoro de um mês e eu não sei mais escrever.

É sério, antes de toda a minha frustrada vida amorosa começar, eu era uma gênia, escrevia poemas num estralar de dedos, redações gigantes num piscar de olhos. Meus desenhos naquela época eram bem melhores, claro que hoje tenho mais técnica, mas antes eles eram bem mais fantasiosos e divertidos. Até as desculpas que eu inventava quando era criança eram mais inteligentes. Puta que o pariu, eu quero minha infância de volta, com todas as caixas-de-papelão-foguetes, as filas de cadeiras que formavam trens, os desenhos que conversavam comigo e as histórias de montros. Minha criatividade era a mil. Eu lia O Pequeno Príncipe praticamente todos os dias, meu livro favorito até hoje. E agora eu tenho crises porque não consigo escrever uma música que preste.

Talvez eu tenha ficado mais exigente com as coisas que escrevo, talvez eu tenha parado de fantasiar demais e tenha conhecido "A Vida Como Ela É", talvez não. Eu ainda acho que é culpa dos namoros, sério, de todos os namorados que tive, só amei 3, mas o amor emburrece, entende? É a única explicação plausível que encontrei pra isso. Só sei que eu tô levando minha banda muito a sério, e cada vez que tento escrever uma música tenho vontade de enfiar um cotonete bem fundo na minha orelha pra ver se ainda existe um cérebro dentro dessa caixa craniana.

Alter ego do mal: Vai lá idiota, faz isso mesmo, estoura o tímpano pra eu poder rir da sua cara e falar "SE FODEU, OTÁRIA! HAHAHAHAHAHAH!"

Chega de drama, tomara que isso tudo não passe de uma fase ruim ou de um mero bloqueio criativo (eu me achando a artista). Nossinhora, tem horas em que eu consigo ser extremamente patética, ainda bem que a única vergonha que eu sinto, fora cantar, é vergonha pelos outros!




Last.fm: Forgotten Boys - Stand by the D.A.N.C.E


P.S.: Incrível como esse blog é um paradoxo. Esse post contradiz totalmente o post abaixo!

sábado, março 31, 2007

Escrever é fácil II

Atirei o pau no gato, mas o gato não morreu... Normalmente eu não faria isso, mas foi um dia difícil, e aquele filho da puta resolveu miar bem na minha janela, e miava alto! Então, fui lá fora, peguei o primeiro galho que achei e taquei no maldito! Mas ainda bem que ele só se assustou, o barulho era infernal e minha intenção não era matá-lo.

Dona Chica admirou-se com o berro que o gato deu... Aquela velha fofoqueira tava na janela, outra vez, vigiando o que acontecia por aqui, e na hora que o gato gritou assustado a velha se espantou, e até se escondeu atrás da cortina... Aposto que amanhã a vizinhança inteira já estará sabendo da forma como *eu saí de casa com uma arma e atirei bem no meio da testa do pobre coitado gato que não fazia nada*...

"MIAU!" O gato miou lá de longe, olhando pra minha janela, como se zombasse da minha cara, aquele filho da mãe!


Nenhum gato se feriu durante a realização deste post. Não façam isso em casa, todos os nossos gatos têm dublês altamente preparados e nenhum objeto atirado contra estes poderia realmente ferí-los!


Last.fm: Sublime - Santeria

sábado, março 24, 2007

O Poderoso Chefão?

fala baixinho no meu ouvido, baby! Dia desses lá fui eu cumprir minhas metas, afinal, não tenho muito o que fazer da minha vida. Fui à locadora e resolvi que levaria as três partes de O Poderoso Chefão. Até aí tudo bem, eu não faço nada da vida, era mamata, cumpriria 1 meta e parte de outras 2 em apenas um dia.

Cheguei em casa alegre e saltitante, expulsei as pessoas da sala, fiz pipoca coloquei a pipoca no microondas, busquei o edredom e voilà, estava pronta para a minha aventura. Seriam 543 minutos de filme, 9 horas e 3 minutos, tudo bem, eu aguento. DVD colocado, legendas selecionadas, era só apertar o play, e foi feito.

É claro que eu já tinha assistido os dois primeiros filmes, mas eu tinha lá meus 10, 11 anos de idade, e fora algumas cenas aleatórias eu não me lembrava de nadinha. O primeiro filme começou, e eu pensava "Quando a história começa a acontecer?" E aquela coisa casamento-escritório-casamento-escritório não passava, e eu comecei a ficar nervosa e com sono. Aí passou, e a história começou a acontecer e a se desenrolar. E o filme acabou e eu pensava comigo mesma "SÓ ISSO????"

Ida ao banheiro, água tomada, corpo alongado, o segundo DVD vai pra bandeja. Nessa hora (leia aqui, lá pelas 2 da manhã) eu já tava com sono do primeiro. Play, e 2 horas depois, Zzzzzz..., eu estava dormindo, nem cheguei a assistir o terceiro, larguei mão. O filme é bom, não nego, foi bem dirigido, aliás o tio Coppola mandou ver, o ex-gostoso-atual-gorducho do Brando atuou incrivelmente bem, e o Pacino também não fica atrás, mas vá pro inferno, precisa dessa enrolação toda? Vou dar um jeito de ler o livro e ver se é um pouco menos cansativo. Se é de dia, e você tem com quem comentar o filme, ele é uma maravilha, mas de madrugada e sozinha é totalmente fatigante.

Aí eu fico pensando, será que é a minha DDA que faz eu achar o filme enfadonho? Afinal, ele está no primeiro lugar do IMDb Top 250, ele está em todas as listas consideráveis de melhores filmes do mundo. Deve ser minha inquietude que faz o filme parecer um grande marasmo. Ou não, talvez as outras pessoas simplesmente nem pensem nisso e achem o filme bom e ponto final, sem se preocupar com quantas vezes bocejaram.

Foi mal aí, mas eu considero ótimo o meu gosto pra filmes, e considero maravilho meu senso. E também sei a diferença entre ruim e chato, afirmando que existem coisas boas que são chatas. Não me venham com pedras na mão, eu disse que o filme é bom e é mesmo, mas não é porque é bom que eu sou obrigada a gostar. Quantas mulheres não gostam de sexo? Várias. E não é nem que eu não tenha gostado, eu só não lembrava que não era isso tudo que as pessoas falam. E 'ai' do cinéfilo pseudocult saudosista que falar "Você não entendeu o filme". É difícil entender que alguém pode entender algo e não achar o máximo? Eu entendo matemática e adivinha só, acho uma grande porcaria.

Admito que é o máximo fazer brincadeiras sobre o poder dos Corleones e referências ao filme em qualquer conversa. Mas daí, a considerá-lo o melhor filme do mundo é um passo gigantesco. No máximo ele deveria estar entre os 20 primeiros. Entraria em um Top 250, em um Top 20, mas não em um Top 5! E mais uma vez, ao pensar nos filmes que as pessoas mais gostam, eu me pergunto "O Poderoso Chefão?"


Metas relacionadas ao post:
-101 em 1001 dias
23. Assistir os filmes do IMDb Top 250 do dia 22/3/2007, desde que eu consiga encontrá-los.
28. Assistir aos três filmes da série “O Poderoso Chefão” em um dia.

-101 antes de morrer
57. Assistir aos melhores filmes de todos os tempos.



P.S.: Sabe qual o pior de tudo? É que eu não consegui assistir aos três, já que eu acabei dormindo, e vou ter que tentar tudo de novo um outro dia... Num futuro não muito próximo, claro!

segunda-feira, março 19, 2007

Estica e puxa

Quando faço minha unha nunca dura mais do que 3 dias. Minha mãe fica bem irritada com isso. "Fica desperdiçando esmalte essa menina." Mas é que eu preciso arrancar, principalmente quando passaram várias camadas bem uniformes. O esmalte fica sequinho e você puxa, tirando uma camada lisinha da unha, e ele sai inteirinho. Mulheres que nunca fizeram isso, arranquem seus esmaltes agora, vocês não sabem, o que estão perdendo.

Lembro quando eu era menor, e minha mãe usava um daqueles produtos de passar no rosto. era uma máscara de pepino, e depois que ficava seca você tinha que puxar, e lá ia a garota aqui, toda alegre. Você puxava e aquela máscara saía inteira, com a marca do rosto e os buracos dos olhos, nariz e boca. Um máximo, as vezes eu até pegava a tal máscara e passava escondida só pra arrancar. Essa mesma alegria da máscara eu sinto quando vejo alguém que pegou sol demais e está descascando. Ai da pessoa se ficar perto de mim, arranco toda aquela pelinha "morta".

Enquanto digito esse post, tem um monte de cola branca no dorso da minha mão, e estou só esperando secar pra puxar. Quando eu era pequena passava cola na mão inteira, tinha tempo que não fazia isso. Quem nunca fez isso? Quem nunca viu uma parede com a tinta descascando e arrancou um pedacinho que seja? É algo difícil de controlar, assim como ver um plástico-bolha e ficar sem estourar. Não tem como, é impossível. Acho que é algo que todas as pessoas fazem, uma mania que todos têm e nem sabem.

É um hábito prazeroso, uma sensaçãozinha tão gostosa. Só mais uma dessas coisas que nosso cérebro gosta mas ninguém sabe explicar o motivo.

E digo mais, quando eu crescer e tiver minha própria casa, vou colocar um papel de parede em algum cômodo. E no primeiro sinal de descascado irei com a minha unha puxar a pontinha e arrancar tudinho.

quarta-feira, março 14, 2007

Saldo do Convida

Eu ainda morro, é sério, quase que o nome desse blog deixa de fazer sentido. *Aaaatchim*
O show foi bom, lindo, maravilhoso, maravilindo. Tudo que eu tentar escrever vai ser pouco pra descrever a euforia causada em mim pela combinação de Rock Rocket + Móveis Coloniais de Acaju... Penso, dispenso explicações.

Tá que foi bom pra dedéu enquanto durou, mas o que eu tô passando agora não é brincadeira. É uma gripe desgramada, quase me deram remédio, quase me levaram ao médico. O único médico que eu vou é o dentista e o único remédio que eu tomo é pra cólica... Ontem me obrigaram a passar o dia inteiro deitada, me mimaram horrorres, isso não tá certo. Eu achei que eu tivesse morrendo, EU NÃO QUERO MORRER!

Ah é, né? O tal saldo:

- 14 reais a menos no bolso
- 2 bandinhas do meu coração num dia só
- 1/10 - tarefa 11
- Reencontro de inúmeras pessoas que não via há tempo
- 1 jato de cerveja na cabeça
- 1 piada sem graça
- 4 músicas que não ouvia em show há tempos
- 1 parte de Glory Box
- 4 músicas do Little Quail and The Mad Birds
- 1 Setlist pra coleção
- Bastante serotonina liberada
- 4 horas de alegria
- 0 fotos
- 2 pernas bem doloridas
- 1 pé caótico de tão inchado
- 1 braço doendo pra dedéu
- Voz de férias
- 1 garganta arranhando
- 1 blusa frouxa
- 1 dia inteiro deitada
- 38°C
- 28h de dor de cabeça
- 3 rolos de papel higiênico pra assoar o nariz
- 2,6 cm de olheira em cada olho (eu medi)
- 1,5kg a menos

Total = 1 noite de shows superfodas, 1 gripe desgraçada, 1 garota acabada .

Pouco glamouroso, eu sei, vou começar a me proibir de ir a shows. Tá, mentira, que se dane isso tudo e que venha o próximo...